Foram 72 oradores que pisaram os palcos da 16.ª edição do QSP SUMMIT, um dos mais relevantes eventos de Management e Marketing da Europa.
O QSP SUMMIT recebeu mais de três mil profissionais, incluindo quadros médios e superiores das principais empresas nacionais e internacionais, durante os dois dias daquele que é um dos mais relevantes eventos de Management e Marketing da Europa. Durante os dois dias, puderam ouvir dezenas de oradores falar sobre a liderança, os desafios e as oportunidades futuras, bem como participar em várias sessões especiais e worklabs.
Após a cerimónia de abertura no Teatro Rivoli, no Porto, que contou com a presença de John Bercow, ex-presidente da Câmara dos Comuns do Parlamento do Reino Unido e figura carismática da política britânica, os dois dias do evento realizado na Exponor, em Matosinhos, contaram com vários oradores de referência no mundo da gestão. Foram mais de 60 os oradores convidados para darem a sua visão sobre o futuro da liderança.
Gary Hamel
Gary Hamel, guru da Gestão e professor na London Business School, salientou a “importância de compreendermos as mudanças globais rápidas que estão a ocorrer no mundo e a necessidade das empresas as acompanharem através dos seus líderes”. Mas estes líderes precisam de mudar a forma como pensam nas organizações, combatendo a burocracia que “impacta negativamente a produtividade”.
“A burocracia deve ser minimizada recorrendo a líderes e compreendendo que a gestão não é sinónimo de controlo”, salientou aquele que é visto como um dos mais influentes pensadores mundiais na área da gestão e estratégia de negócios. O sucesso das organizações passa, muitas vezes, pela liberdade dada aos colaboradores, permitindo-lhes pensar e colocar em prática projetos diferenciadores. É importante “desburocratizarmo-nos a nós próprios, distribuir o poder”, sublinhou, defendendo o lema: “humanity over bureaucracy”.
Ian Woodward
Ian Woodward, do ISEAD, sublinhou que a “liderança deve ser vista como uma jornada e não como um destino”. Neste sentido, lembrou a importância de as organizações terem líderes “capazes de pensar em todos os níveis na sua tomada de decisão, que não fiquem ‘presos’ num nível”.
“Não podemos ter um mindset em torno de poder e controlo”, caso contrário, “os colaboradores ficam desmotivados e as organizações tornam-se menos atrativas para os jovens”. Um líder deve “ter a capacidade de encorajar os seus funcionários a pensar estrategicamente”. E esses “funcionários devem ter voz e ter visão estratégica”, rematou Ian Woodward.
Helen Edwards
Helen Edwards, da London Business School, assentou a sua intervenção nas muitas das mudanças a que assistimos nos dias de hoje, salientando que grande parte dessas são forçadas pelos consumidores.
“Os consumidores são os verdadeiros drivers das mudanças disruptivas, devendo a indústria ultrapassar a resistência e movimentar-se para não ficar para trás face aos movimentos dos consumidores”, referiu, instando as organizações a adaptarem-se à mudanças, mas também a serem elas próprias instigadoras de mudança, nomeadamente no que respeita à sustentabilidade.
Partido do conceito de “less is more” e “consume less”, lembrou que as empresas devem ajudar os consumidores a consumir menos, mas melhor, atendendo ao ambiente, sustentabilidade. “Foram os consumidores que começaram a revolução. A disrupção provocado pelo consumidor tem o poder de fomentar novas indústrias, vencedores e também perdedores”, alertou.
Elizabeth Van Geerstein
Elizabeth Van Geerstein, da Papillon & Partners, sublinhou a importância da cultura de empresa para gerar resultados. “A cultura organizacional é o nosso golden link”, definindo três pilares-chave para a criar: segurança psicológica, que defende que os “funcionários devem ter uma voz, devem errar e conseguir admitir e não esconder”; crescimento, que defende que os “líderes devem entregar poder os seus funcionários, estes devem resolver problemas, arranjar soluções”; e o terceiro que é o da conquista, o “vencer juntos”, que defende a criação de uma relação de confiança entre líderes e liderados.
David Shing
David Shing, da Shingy, destacou que grande parte da nossa vida é passada a trabalhar. “Passamos 80% do tempo a trabalhar, pelo que devemos realmente gostar daquilo que fazemos”, referiu, lembrando a importância de “alinhar as nossas crenças com um trabalho que consideramos positivo”, sendo que tal “está ligado à contribuição com as ideias para o estado do negócio e o ser reconhecido”. Quando tal não acontece, “há uma necessidade de ultrapassar a resignação, através da coragem para mudar de trabalho e de local”.
Dr. Fredrik G. Pferdt
Dr. Frederik Pferdt, da Standford University, abordou temas como o otimismo, a curiosidade, a abertura, a aprendizagem e a empatia, fulcrais para se construir o mindset das lideranças futuras. “Quando um líder é confrontado com uma pergunta mais arrojada, este não deve olhar para os problemas, mas sim para a oportunidade de inovação e aprendizagem que essa questão pode trazer para a organização”, referiu.
“Um exemplo claro desta ação é visto na Google onde colaboradores são premiados por colocarem as suas ideias na prática, recebendo um pinguim de peluche – este é explicado pelo comportamento das aves no mundo real, em que aguardam pelo corajoso que salte primeiro e arrisque no sucesso desta atividade”, exemplificou.
Marian Salzamn
Marian Salzamn, da Philip Morris International, falou-nos do caos e incerteza em que vivemos, com novas divisões, medos e ameaças existenciais. Há uma mudança de paradigma. “As regras rígidas estão-se a quebrar. Vamos dizer adeus aos horários de trabalho ou estudo, tal como os conhecemos ou à prisão do crédito à habitação, com o desenvolvimento de comunidades de nómadas digitais”, salientou, mas lembrando que “à medida que nos movemos para o digital, a fome de comunhão com os outros fomentará a organização de tribos”. Assim, a “equidade é o novo grito de guerra”.
Além da visão das dezenas de oradores convidados para o QSP SUMMIT de 2023, o evento contou ainda com muitos outros palestrantes nas vários Worklabs e Special Sessions realizados ao longo dos dois dias:
Worklab – ‘Thinkers Hall’
Este Worklab focou-se no trade off entre a burocracia, que encara os indivíduos como máquinas e objetos, e a humanocracia, onde os indivíduos são agentes, procurando-se maximizar a contribuição na busca pelo impacto. Os trade offs são difíceis, mas ficou clara a necessidade de reduzir o controlo e dar mais liberdade aos trabalhadores.
Worklab – ‘Leadership For The Future Is Not What You’re Expecting’
Neste Worklab falou-se das lideranças do futuro, lembrando-se que a liderança é uma história de mudança/impacto/’gap that need to be filled’. São as ações que evidenciam um líder e não a sua aparência, a maneira como fala ou interage (estas são as expectativas) – devemos ver um líder pelas suas ações. Concluiu-se ainda que os líderes não são óbvios, mas moldam e mudam quem somos e o que acreditamos.
Worklab – ‘The Art Behind Great Teams’
Comunicação, honestidade, humildade, capacidade de liderança, criatividade e unidade são fundamentais nas equipas. A falta de planeamento é contraproducente para o trabalho, em termos de criatividade, mas as equipas têm que estar preparadas para o improviso. Neste Worklab sublinhou-se a dificuldade de criar equipas, e na importância de as saber liderar, sendo as orquestras exemplos de liderança e trabalho de equipa.
Worklab – ‘Trends Forum’
Olhando para as tendências, três saltam à vista: a inteligência artificial (IA), o bem-estar dos trabalhadores e a resposta às crises. A IA é vista como um facilitador da criatividade/inovação e de produtividade, mas nunca se deve esquecer os colaboradores, nomeadamente a necessidade de formação destes. O bem-estar dos colaboradores é de extrema importância uma vez que todos têm de estar bem com as condições de trabalho para o negócio ser bem sucedido, isto porque “as empresas são as pessoas”. E perante crises, este Worklab defende que haja nas organizações a flexibilidade para lidar com as circunstâncias externas e a mudança.
Worklab – ‘How Health Can Drive Performance’
A saúde é fundamental para a entrega de resultados e aumento do desempenho. Este Worklab debruçou-se sobre o burnout, uma doença cada vez mais comum que não deve, contudo, ser tratada apenas e só com medicamentos. É importante, além de um sono reparador, mudar hábitos: reforçar a Vitamina D, beber água alcalina, comer alimentos não processados e praticar exercício físico.
Worklab – ’Decoding The Future Of World Leadership’
Há características que são inatas num líder, a coragem e a persistência, mas a liderança é ensinada, é preparada, está relacionada com a experienciação. Neste Worklab sublinhou-se que um líder é tanto mais líder quanto mais consegue que a sua organização seja liderante. E um líder é mais líder quanto mais conseguir criar empowerment nos seus colaboradores diretos. Neste sentido, a inteligência emocional é fundamental num líder.
Worklab – ‘Visions From Fast-Growing Leaders’
Um líder deve conseguir motivar todos os colaboradores nos bons momentos, mas acima de tudo em fases difíceis. É nesses momentos que se torna difícil tomar decisões acertadas, no tempo. É nessas alturas que os líderes vivem no impasse entre arriscar ou esperar, perceber os pros e os contras e, acima de tudo, mesmo no meio de todas as incertezas têm a capacidade de serem destemidos, admitindo-se cometer erros.
Worklab – ‘How To Have A Positive Impact With Digital’
Se a internet acabasse, o mundo parava, tal é a forma como esta se encontra entrosada no nosso dia a dia. Neste Worklab, falou-se dos do digital, das oportunidades e desafios que este novo mundo apresenta, assistindo-se a empresas cada vez mais tecnológicas que devem ter cinco preocupações no centro de tudo: descentralização, identidade digital, ubiquidade, comunidade e experiência.
Worklab – ‘How Responsible Tourism Is Driving Stewardship And Action?’
Viajar é uma prioridade para muitos. E nestas viagens, os consumidores não poupam, admitindo-se um custo mais elevado para fazer essas viagens, desde que estas sejam mais sustentáveis. Contudo, neste Worklab sublinhou-se que os consumidores pagam mais, mas querem saber porquê. Precisam de ver o impacto positivo, do valor pago a mais.
CEiiA Special Session – ‘The Space and Us: …What Is New In Space Systems That Will Drive Our Economies?’
Na Special Session da CEIIA sublinhou-se a importância de, tal como na Terra, descarbonizar o Espaço. Defendeu-se a necessidade de capturar todo o CO2 emitido, mudar os comportamentos, e para tal é necessário regular e legislar o espaço, nomeadamente com entrada dos privados na exploração espacial. Só assim será possível haver uma exploração espacial inovadora, inspiradora, democratizada e segura.
TPNP Special Session – ‘Tourism Strategy And Vision: Investments Priorities’
Portugal tem vindo a observar um crescimento contínuo e sustentado do turismo ao longo dos anos, sendo um dos setores mais competitivos do mundo. Uma das maiores preocupações nesta Special Session foi a necessidade de tornar o território mais inteligente, capaz, eficiente e autónomo para haver maior retorno do investimento feito na marca Portugal.
Unilabs Special Session – ‘Rising To The Occasion: Leadership In Challenging Times’
Destaca-se desta Special Session a questão da importância de um líder saber adaptar a sua liderança e a sua abordagem às diferentes equipas e contextos. Isto é, o mesmo indivíduo pode ser um líder de sucesso numa equipa e logo de seguida fracassar na sua liderança a um outro grupo, caso não se consiga adaptar corretamente à nova envolvente e à forma de ser e estar deste novo grupo.
Tabaqueira Special Session – ‘Changing Industries: A Discussion About Transformation’
Numa Special Session em que se falou da transformação das empresas/indústrias, os líderes da Galp Energia, Sogrape, Vila Galé e Tabaqueira, reconheceram o desafio comum atual: encontrar e reter capital humano com talento e acima de tudo, definir estratégias e mecanismos de valorização e formação, para que os trabalhadores tenham cada vez mais melhores condições de trabalho e, consequentemente prestem um desempenho mais eficaz.
Grupo BPF Special Session – ‘Follow The Leader, Leader, Leader!’
A Special Session do Grupo BFP, salientou-se que a “visão” é essencial para os líderes das empresas, mas não só. A atração de talento, que está ao mesmo nível da atração de investimento, é outro dos desafios das lideranças, sendo a gestão de pessoas vista como uma das tarefas mais difíceis na liderança de uma empresa. Neste sentido, a comunicação frequente e transparente é chave nesta relação.
NTT Data Special Session – ‘Envisioning The Future: How Technology Supports And Challenges Marketing’
Nesta Special Session foi reconhecido o papel crucial da tecnologia no marketing, mas salientando-se que os seres humanos “não podem ser deixados para trás uma vez que são estes que produzem as ideias para que as máquinas as consigam desenvolver posteriormente”. As tecnologias, nomeadamente a inteligência artificial, devem ser vistas como um aliado num marketing que é já hoje a hiperpersonalizado e que deverá permitir, a prazo, uma relação one to one com todos os clientes.
