O mundo do trabalho está a ser impactado por um cenário de aceleração tecnológica, com a integração da Inteligência Artificial a redefinir profundamente a forma como trabalhamos e como procuramos novas oportunidades. Neste contexto, as empresas valorizam cada vez mais perfis adaptáveis, atualizados e capazes de trabalhar em ambientes híbridos entre humano e tecnologia, pelo que se torna ainda mais essencial que os candidatos saibam como destacar-se e reforçar estes elementos de valor.
Assim, a propósito do Dia da Internet, o ManpowerGroup, líder em soluções globais de gestão de talento, apresenta quatro estratégias para potenciar a procura de emprego num mercado cada vez mais marcado pela transformação digital.
Tirar partido de ferramentas de IA no processo de recrutamento
A área de aquisição de talento é uma das que apresenta as implementações mais maduras de tecnologias baseadas em IA. Segundo o estudo “Global Insights Whitepaper: Construir e sustentar uma carreira significativa na era da IA”, da Experis, 80% dos empregadores portugueses consideram aceitável que os candidatos recorram a ferramentas de Inteligência Artificial durante a procura de emprego. Entre as principais utilizações destacam-se a pesquisa de informação sobre as empresas (33%), a preparação para entrevistas (32%), a procura de oportunidades profissionais (31%) e a otimização do currículo ou carta de apresentação (28%).
Estas tecnologias podem melhorar, não só a pesquisa de oportunidades, com algoritmos de matching e ferramentas para suporte à elaboração da candidatura, como também a qualidade das interações entre o candidato e a empresa ao longo do processo, nomeadamente com chatbots que permitem uma maior agilidade na resposta.
Considerar os setores onde há maior escassez de talento
De acordo com o Global Talent Shortage 2026, do ManpowerGroup, Portugal encontra-se entre os cinco países onde os empregadores sentem maior escassez de talento, com 82% das empresas a revelarem dificuldade em preencher as vagas em aberto. Sendo a escassez elevada em todos os setores, é especialmente acentuada na Indústria (88%), em Tecnologias e Serviços de IT (85%), na Hotelaria e Restauração (84%) e no Setor Público e Serviços de Saúde e Sociais (84%).
Assim, pode ser estratégico investir na aquisição de competências com maior procura nestes setores, como competências em Indústria e Produção, engenharia, modelos de IA e desenvolvimento de aplicações.
Investir em competências humanas e cooperativas
Entre as tendências do mundo do trabalho para o futuro, patentes no estudo “A Força da Humanidade” do ManpowerGroup, está a organização do trabalho em superequipas híbridas, compostas por colaboradores, agentes de Inteligência Artificial, freelancers e profissionais contratados por projeto. Neste contexto, em que o trabalho se está a reconfigurar para integrar os pontos fortes únicos dos trabalhadores humanos e dos componentes baseados em IA, é essencial que os candidatos apostem no desenvolvimento de soft skills enquanto fatores de diferenciação.
Neste novo paradigma, competências como comunicação, pensamento crítico, criatividade, inteligência emocional, adaptabilidade ou resolução de problemas assumem um papel cada vez mais diferenciador. À medida que a tecnologia automatiza tarefas técnicas e repetitivas, as competências humanas tornam-se mais relevantes para promover colaboração, inovação e tomada de decisão.
Apostar no upskilling ou reskilling
Neste momento de rápida transformação, a aprendizagem contínua e a atualização de competências tornam-se essenciais para que, independentemente do vínculo laboral que procuram, os candidatos acompanhem a transformação do mundo do trabalho. Ao mesmo tempo, e apesar de a esmagadora maioria dos profissionais (89%) estar confiante com as suas competências atuais para realizar funções, só 64% sentem confiança de que esses conhecimentos sejam suficientes para o futuro, como mostra o Global Talent Barometer 2026, do ManpowerGroup. A tendência deverá intensificar-se: de acordo com o World Economic Forum, 39% das competências essenciais para os trabalhadores deverão mudar até 2030.
Neste âmbito e embora as organizações estejam a tentar ajudar na transição, proporcionando aos trabalhadores as competências e a formação adequadas, cada indivíduo também tem um grau importante de responsabilidade. Assim, e independentemente da função ou nível, cada colaborador deve investir na sua capacitação e desenvolver competências de literacia de IA, bem como reforçar as competências humanas, complementares à tecnologia, que mais dificilmente serão automatizadas. Os profissionais que acompanharem a maturidade das organizações e contribuírem ativamente para otimizar o uso da IA serão cada vez mais valorizados.
O futuro do trabalho já não distingue claramente entre o humano e o digital, combina-os. Num mercado em que a Inteligência Artificial redefine funções a um ritmo contínuo, a vantagem já não está apenas em encontrar emprego, mas em conseguir reinventar-se dentro dele.
