As férias continuam a ser uma prioridade para os portugueses mas a forma de viajar varia entre gerações, com os mais jovens a preferirem mais viagens internacionais e maior flexibilidade na escolha dos períodos de descanso enquanto as famílias continuam a privilegiar Portugal e os meses de verão. Esta é uma das conclusões do novo estudo “Férias 2026” do Observador Cetelem, centro de estudos sobre consumo do BNP Paribas Personal Finance em Portugal, que revela que 78% dos portugueses já marcaram as férias deste ano, numa clara demonstração da prioridade dada aos momentos de descanso.
Os dados do Observador Cetelem apontam para que, entre os 66% de portugueses que pretendem viajar, 44% planeiam fazê-lo exclusivamente em Portugal, 21% combinam o território nacional com o estrangeiro e 30% optarão apenas pelo estrangeiro. As viagens ao estrangeiro são impulsionadas pelos jovens dos 18 aos 34 anos, enquanto as faixas etárias entre os 35 e os 74 anos se assumem como os principais motores do turismo nacional.
Num plano transversal, 64% dos inquiridos mantêm a tendência de concentrar o período de descanso no verão (junho a setembro), com o tradicional pico de escolhas no mês de agosto (34%), ainda que os jovens (18 aos 34) contrariem esta tendência e distribuam mais as férias ao longo do ano. Com uma duração típica de duas semanas (53%) e perante uma necessária adaptação orçamental, o conforto continua a ser um fator prioritário, com a hotelaria a ser a preferência para 43% dos portugueses, seguindo-se o Alojamento Local (24%), o arrendamento de moradias ou apartamentos (19%) e a estadia em casa de familiares (19%).
Inflação, poupança e aumento dos combustíveis obrigam a adaptação do planeamento
Com um orçamento médio previsto de 861 euros, valor abaixo do registado nos estudos anteriores especificamente para as férias de verão, quase três em cada dez portugueses admitem cortar gastos e mais de metade estabeleceu um limite inferior a 1000€ para as férias deste ano (só 17% tencionam gastar mais de 1500€). Verifica-se assim uma tendência clara de redução de gastos: no verão do último ano o valor situou-se nos 967 euros e, antes da pandemia, no verão de 2019, fixava-se nos 1353 euros (-37%).
A maioria dos portugueses continua a financiar as suas férias através de rendimentos correntes e poupanças: 54% utiliza o salário ou subsídio de férias e 49% recorre a poupanças acumuladas. 16% dos consumidores utiliza soluções de crédito (12% com cartão de crédito e 2% com crédito pessoal).
A inflação é o principal motivo a condicionar as decisões sobre as férias dos portugueses (39%), seguido da intenção de poupar (36%), do aumento dos combustíveis (35%) e das limitações do próprio orçamento (31%).
Neste contexto, 48% tentarão manter o mesmo nível de consumo do último ano, mas 29% admitem cortes efetivos (com especial incidência na geração dos 35 aos 44 anos) e 57% impuseram um limite nas despesas. Apenas 12%, principalmente os jovens dos 18 aos 24 anos, perspetivam gastar mais face ao último ano.
Ao analisar a distribuição da fatura das férias, os custos fixos e estruturais absorvem a maior parte do orçamento: o alojamento lidera com 32% do total, seguido pela alimentação (29%). Já os transportes representam 21% do orçamento dos portugueses para as férias, restando apenas 18% da verba disponível para atividades de lazer, entretenimento e outros extras.
Para fazer render o orçamento disponível sem abdicar das férias, a necessidade da poupança manifesta-se de diferentes formas: 28% reduziram gastos em atividades e restauração, 27% elegeram alojamentos mais económicos e 21% desistiram de viajar para fora do país.
Inteligência Artificial no planeamento das férias
A tecnologia começa também a assumir um aspeto relevante no processo de decisão das férias. 62% dos portugueses já consideram ferramentas de Inteligência Artificial no processo de organização das férias. As principais aplicações dividem-se entre a pesquisa de destinos (33%), a comparação de opções (33%), suporte em viagem (18%) e o planeamento de roteiros personalizados (32%).
Contudo, na hora de validar as escolhas e alocar o dinheiro, o consumidor português demonstra um perfil assente em relações de proximidade. De acordo com o estudo, as recomendações de pessoas conhecidas e amigos surgem no topo das fontes mais fiáveis, seguidas pelas avaliações e reviews online de outros utilizadores e pelas agências de viagens. Ainda assim, a Inteligência Artificial ultrapassa os influenciadores digitais, que se fixam como a fonte menos valorizada para os portugueses na hora de planear as férias.
Metodologia:
O target foi direcionado para indivíduos de ambos os sexos, de idades compreendidas entre os 18 e os 74 anos residentes em Portugal Continental. Foram realizadas de autopreenchimento online. A amostra é de 1000 entrevistas representativas da população (quotas de sexo, idade e região de acordo com os dados do INE). As entrevistas foram conduzidas por intermédio de questionário estruturado de perguntas fechadas, semi-fechadas e abertas, fornecido pelo Cetelem, com a duração máxima de 11 minutos. O trabalho de Campo decorreu entre 14 e 25 maio de 2026.
