A instabilidade geopolítica e a volatilidade dos mercados internacionais estão a transformar a forma como as empresas gerem os custos e processos produtivos. Os indicadores mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) refletem este contexto: em junho, o Índice de Preços na Produção Industrial registou um aumento homólogo de 5,0%, impulsionado sobretudo pela energia (+12,7%) e pelos bens intermédios (+6,3%), refletindo também a subida dos preços dos produtos petrolíferos. Já em julho, o clima económico voltou a decair, acompanhado por uma quebra da confiança nos setores do comércio e dos serviços e por perspetivas menos favoráveis quanto às vendas e à atividade nos próximos meses.
Num contexto em que os custos se tornam mais voláteis e os fatores de risco mais difíceis de antecipar, reforçar a capacidade de planeamento, controlo e adaptação torna-se cada vez mais determinante para a competitividade das organizações. Por este motivo, a ERA Group, consultora especializada em otimização de custos e processos, identifica quatro prioridades para as empresas que querem reforçar a sua resiliência, otimizar custos e responder de forma mais eficaz aos desafios atuais.
“O grande desafio atualmente não é apenas o aumento dos preços, mas também gerir um contexto em que a volatilidade global passou a fazer parte do dia a dia de um negócio. Hoje, mais do que reagir à subida de custos, importa compreender onde estão as verdadeiras oportunidades de otimização e reforçar a capacidade de decisão e resiliência das organizações perante um contexto em permanente mudança”, afirma João Costa, country manager da ERA Group.
1 | Controlo da despesa logística
Os custos de transporte são hoje muito mais instáveis devido às constantes alterações nas tarifas e taxas aplicadas aos combustíveis, enquanto as interrupções nas cadeias de abastecimento podem fazer oscilar significativamente o custo de uma operação num curto espaço de tempo. Perante este cenário, torna-se essencial monitorizar regularmente o mercado, rever contratos e negociar de forma contínua com os fornecedores para identificar oportunidades de otimização e melhorar a eficiência operacional.
2 | Tornar a gestão de compras mais ágil
A rápida evolução dos preços das matérias-primas e dos materiais de embalagem está a reduzir a capacidade de planeamento das empresas. Com cotações válidas por períodos cada vez mais curtos, torna-se essencial acompanhar a evolução do mercado através de ferramentas que permitam monitorizar preços e tendências em tempo útil. Mais do que procurar constantemente novos fornecedores, importa garantir que cada decisão de compra assegura o melhor equilíbrio entre custo, qualidade e estabilidade.
3 | Adaptar a estratégia a novas cadeias de abastecimento
A crescente volatilidade nas rotas comerciais veio demonstrar que depender de um número reduzido de fornecedores ou de mercados específicos representa um risco crescente para muitas organizações. Por isso, é importante fazer uma gestão estratégica e planificada dos custos, assegurando a qualidade e o funcionamento da cadeia de abastecimento, por meio da diversificação de fornecedores e identificação de alternativas de abastecimento mais locais. As empresas que acompanham regularmente estes fatores estarão mais bem preparadas para minimizar interrupções e proteger a sua competitividade.
4 | Rever os planos de continuidade e gestão de risco
O aumento dos riscos cibernéticos, os atrasos nas cadeias de abastecimento e as dificuldades no acesso a equipamentos ou matérias-primas tornam essencial rever regularmente os planos de contingência e as coberturas de seguro. A avaliação contínua dos principais fatores de risco permite antecipar cenários, ajustar estratégias e responder de forma mais rápida a situações inesperadas, reduzindo o impacto financeiro e operacional de eventuais interrupções.
Num cenário económico cada vez mais imprevisível, a capacidade de antecipar riscos e gerir custos de forma estratégica será um dos principais fatores de diferenciação das empresas nos próximos anos.
