Em 30 dos 50 municípios mais procurados para comprar casa em Portugal é possível encontrar preços medianos inferiores a 300.000 euros, segundo os dados do segundo trimestre de 2026 do idealista. Isto representa 60% do ranking, ou seja, em 6 de cada 10 municípios com maior procura de compra residencial, o preço mediano fica abaixo deste limiar. Santarém, com 14 municípios no top 50, é o distrito mais representado, e o Alentejo e as Beiras concentram grande parte dos preços mais acessíveis.
Sobral de Monte Agraço lidera; Lisboa cidade só aparece em 17.º lugar
O município mais procurado para comprar casa em Portugal no segundo trimestre de 2026 é Sobral de Monte Agraço, no distrito de Lisboa, com um preço mediano de 404.362 euros. Seguem-se a Amadora (328.016 euros, 2.º lugar) e Odivelas (453.359 euros, 3.º lugar). O próprio município de Lisboa, com preço mediano de 699.727 euros, surge apenas em 17.º lugar, ultrapassado por 16 municípios com menor pressão de preços mas maior expressão de procura.
O distrito de Lisboa coloca 12 municípios no top 50, mas a dispersão de preços é significativa: Oeiras (708.118 euros), Lisboa (699.727 euros) e Sintra (566.476 euros) figuram entre os mais caros do ranking, enquanto Alenquer (277.000 euros, 9.º lugar) é o único município lisboeta abaixo dos 300.000 euros. A pressão da procura concentra-se na periferia norte e oeste da capital, onde os preços ainda ficam abaixo dos concelhos mais consolidados.
É preciso recuar até a 32.ª posição para encontrar o município do distrito do Porto mais procurado para comprar casa: Santo Tirso (371.414 euros). Além deste, está ainda Valongo (312.825 euros, 44.º lugar) e Paredes (313.036, 48.º lugar). O próprio município da Invicta não aparece neste ranking. A Madeira também marca presença no top 50, com Santana no 28.º lugar (312.445 euros) e Porto Moniz no 50.º lugar (216.188 euros).
Santarém: o distrito da acessibilidade
Com 14 municípios nos top 50, Santarém é o distrito mais representado no ranking e aquele com a fasquia de preços mais acessível entre os concelhos com maior pressão de procura.
Os municípios do Ribatejo e do Médio Tejo têm uma presença particularmente forte: Almeirim surge em 4.º lugar (244.603 euros), Constância em 10.º (212.181 euros), Sardoal em 11.º (138.235 euros) e Cartaxo em 12.º (290.236 euros). A forte presença destes concelhos no ranking indica que o corredor Lisboa-Santarém representa uma alternativa consolidada para compradores que procuram preços mais acessíveis do que os praticados na capital e na sua periferia imediata.
Interior com 13 municípios abaixo dos 200.000 euros
Em 13 municípios do ranking o preço mediano fica abaixo dos 200.000 euros, todos localizados no interior do país. Portalegre é o distrito com mais representantes neste grupo: Alter do Chão (91.096 euros, 21.º lugar), Monforte (112.657 euros, 27.º lugar), Elvas (138.759 euros, 31.º lugar), Nisa (80.856 euros, 34.º lugar) e Avis (169.323 euros, 35.º lugar). O município mais acessível do ranking é Barrancos, no distrito de Beja, com preço mediano de 55.000 euros.
Esta presença do interior profundo no ranking de procura, com concelhos do Alentejo, Beiras e Trás-os-Montes entre os mais procurados, é um sinal de que a procura de compra residencial se está a alargar geograficamente, com compradores a explorar mercados fora das áreas metropolitanas tradicionais.
Os municípios mais caros entre os mais procurados
Apenas 4 municípios do top 50 registam preço mediano acima dos 500.000 euros: Oeiras (708.118 euros, 5.º lugar), Lisboa (699.727 euros, 17.º lugar), Sintra (566.476 euros, 13.º lugar) e Almada (548.488 euros, 23.º lugar). Todos pertencem à Área Metropolitana de Lisboa. A sua posição no ranking confirma que os preços mais elevados não correspondem necessariamente à maior procura proporcional — Oeiras, o mais caro, surge apenas em 5.º lugar, sendo ultrapassado por municípios com preços consideravelmente mais baixos.
Metodologia
Calculámos o ranking dos municípios mais procurados durante o segundo trimestre de 2026, entre os que apresentaram uma oferta superior a 500 anúncios de casas à venda no idealista (o marketplace imobiliário do sul da Europa). Depois, foram também analisados os preços medianos dos 50 municípios mais procurados para comprar casa em Portugal.
Utilizando os dados de comportamento dos utilizadores do idealista, recolhemos o indicador de pressão da procura relativa sobre a oferta. Este indicador baseia-se no número de leads (contactos por email, apresentação de ofertas e imóveis guardados em favoritos) recebidos por anúncio publicado no idealista. Os preços correspondem ao valor mediano dos anúncios de venda residencial publicados no idealista, por zona e período temporal em análise, após exclusão de valores anómalos.
Tabela com dados na página seguinte:
