Com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e da Segurança Social, a mais recente análise da Randstad Research revela que o mês de junho revelou um ligeiro abrandamento no mercado de trabalho em Portugal, assinalando uma quebra tanto no volume de emprego como na população ativa.
As estimativas provisórias revelam que, em junho de 2026, o emprego no país registou uma queda mensal de 13.700 pessoas (-0,3%). Apesar deste recuo, o número total de profissionais empregados continua a superar a fasquia dos 5,3 milhões (5.351.800). Numa perspetiva homóloga, o mercado laboral mostra-se resiliente, contabilizando mais de 109.500 pessoas empregadas (+2,1%) face a junho do ano anterior. A população ativa acompanhou igualmente a descida mensal, perdendo 12.700 indivíduos.
Com a quebra do emprego a superar o aumento absoluto do desemprego (que somou mais 900 pessoas face a maio), a taxa de desemprego global manteve-se inalterada nos 5,6%, totalizando 316.600 desempregados no país. A análise demográfica do INE demonstra que este aumento mensal foi impulsionado em exclusivo pelas mulheres (+5.000 pessoas) e pelos adultos entre os 25 e 74 anos (+3.900 pessoas). Em contraste, o desemprego recuou entre os homens (-4.100 pessoas) e, de forma mais expressiva, entre os jovens dos 16 aos 24 anos (-3,9%).
Reestruturação tecnológica cria janela de oportunidade para captação de talento
A leitura dos dados registados pelo IEFP revela que o desemprego no Continente caiu 3,6% face ao mês anterior e 9,5% em termos homólogos, fixando-se em 232.809 inscritos nos centros de emprego. No entanto, a análise aprofundada da Randstad Research à estrutura setorial, onde os serviços concentram 68,8% dos desempregados, identifica um padrão incomum.
Enquanto o setor primário e a indústria tradicional registaram reduções homólogas expressivas (por exemplo, com a agricultura a cair 16,1% e o alojamento e restauração a absorver menos 2.469 pessoas), verificou-se um aumento acentuado do desemprego em atividades de alta qualificação. O setor das tecnologias de informação e telecomunicações (+12,2%), as atividades de consultoria, científicas e técnicas (+11,3%) e a área de edição, difusão e conteúdos (+20,7%) apresentaram subidas homólogas de dois dígitos no volume de desempregados registados.
Em termos de rendimentos, a remuneração média por trabalho dependente declarada à Segurança Social (referente a maio) fixou-se nos 1.647,02€, traduzindo-se num crescimento de 1,4% face a abril e de 5% em comparação com o período anual de 2025. O mapa salarial continua a ser liderado por Lisboa (1.912,06€), com um acompanhamento de Setúbal (1.748,71€), contrastando com as remunerações mais baixas registadas em Bragança (1.371,73€) e Portalegre (1.374,69€). A disparidade salarial entre Lisboa e a região de Beja continua acima dos 537 euros.
Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, afirma que “Os dados de junho revelam que se por um lado os setores operacionais e ligados ao turismo absorvem rapidamente a mão de obra disponível, por outro, há uma reestruturação e otimização de perfis nas áreas tecnológicas e de consultoria. Para as empresas com necessidades digitais existe, assim, uma janela de oportunidade única para captar profissionais altamente qualificados que acabam de ficar disponíveis no mercado. Simultaneamente, este cenário reforça a urgência de apostar em estratégias robustas de requalificação para garantir que o talento responde às necessidades imediatas dos setores mais tradicionais da nossa economia”.
