Entre psicologia comportamental e inteligência artificial, o viajante é mais consciente, valoriza o autocuidado, o silêncio e conexões emocionais
Viajar já não é apenas partir: é escolher com intenção. Em 2026, as decisões tornam-se mais pessoais, conscientes e exigentes, refletindo novas prioridades e estilos de vida. É neste contexto que o IPDT – Tourism Intelligence detalha as 10 grandes tendências que vão moldar a forma como exploramos o mundo.
Uma das tendências dominantes para este ano é a visão da viagem como um (1) compromisso de autocuidado, assemelhando-se à importância dada aos ginásios na década passada. O viajante de 2026 procura resultados visíveis e “glow up” estético, transformando o destino num intervalo estratégico para tratamentos de confiança que a rotina não permite. Esta procura por benefícios concretos altera a forma como os destinos se posicionam, movendo-se para uma lógica de (2) procura emocional baseada no estado de espírito. Viajar deixou de ser apenas escolher um destino e passou a ser escolher o que se quer sentir. Cada vez mais, as decisões são guiadas pelo estado de espírito, levando destinos e marcas a adaptar a sua oferta a diferentes “moods” e a comunicar de forma mais emocional e personalizada.
O relatório destaca ainda o crescimento do (3) turismo literário e do (4) silêncio como necessidades fisiológicas. O mundo passa a ser visto como uma sala de leitura, onde os viajantes procuram cenários de romances e livrarias de culto para uma “desintoxicação cognitiva” longe do ruído digital. Paralelamente, o silêncio converte-se num bem escasso e valioso, com a emergência de hotéis low-noise e isolamento sensorial planeado, onde a ausência de ruído é tratada como uma infraestrutura essencial para o equilíbrio mental. Esta sofisticação comportamental reflete-se também na (5) fidelização a destinos conhecidos, vista agora como uma forma de inteligência emocional. Os visitantes esperam-se repetentes que procuram agora “segundas camadas” de experiência e autenticidade em bairros e narrativas menos óbvias.
A busca pela (6) autenticidade quotidiana ganha relevância através do conceito de Shelf Discovery, onde supermercados e mercearias locais se tornam pontos de paragem obrigatória para descobrir a identidade real de um lugar através dos seus sabores diários.
No plano cultural, a (7) “religião da bancada” consolida-se, transformando estádios e museus de clubes em templos modernos de peregrinação, onde a ligação emocional e o sentido de pertença motivam viagens tão legítimas como as que têm por base a arte ou a ópera.
No entanto, a viagem também assume um papel mais pragmático e até clínico, funcionando como um (8) polígrafo das relações. As férias são agora utilizadas como um laboratório emocional para testar a compatibilidade e a resiliência de casais e amigos perante o desconforto e a ambiguidade perante a programação de uma viagem e a gestão de expectativas.
Finalmente, o IPDT – Tourism Intelligence identifica que o viajante de 2026 utiliza a deslocação como um (9) “sinal do universo”. A viagem assume, cada vez mais, um significado simbólico: um momento de pausa e alinhamento com o que sentimos que a vida pede. Este ano, muitos viajantes decidem partir por intuição, procurando destinos que funcionem como espaços de reflexão, mudança ou fecho de ciclos. Mais do que fugir, viaja-se para ganhar clareza, transformando a viagem numa verdadeira bússola interior.
Para apoiar esta jornada, a tecnologia evolui para o (10) “algoritmo invisível”, onde a Inteligência Artificial atua nos bastidores como uma intuição aumentada, personalizando rotas e experiências de forma discreta e preditiva. Contudo, o sucesso dos destinos dependerá da preservação da empatia humana, garantindo que a tecnologia apenas reforça a hospitalidade sem nunca substituir o improviso e o acolhimento do anfitrião. Em 2026, a premissa é clara: o algoritmo faz o trabalho invisível, mas o humano continua a ser o responsável pelo momento memorável.
