É tanto uma rede de networking como uma comunidade de reflexão estratégica. Funciona como uma fonte de empoderamento e um espaço de influência e diplomacia informal no feminino, por onde passam conquistas e desafios. Empresariais e não só. O Executive Tea Club surgiu para amplificar o timbre inspiracional de cada executiva com as vozes das demais. E reúne periodicamente, num formato de estruturado com propósito, mulheres em cargos executivos, empresárias, líderes ou mulheres em transição de carreira, com “ambição de ser inteira e deixar uma marca no mundo e um legado de crescimento e impacto”, como acentua Raquel Mota Pinto, cofundadora, empresária, autora, oradora e com um permanente envolvimento em iniciativas de cariz social.
E o projeto que germinou há três anos, com a participação então de 28 mulheres, conta atualmente com um grupo “ativo e em expansão consistente” (já com polos em Lisboa, Aveiro, Dubai e Bahrein), tendo tido uma “evolução significativa” no último ano, em que mobilizou cerca de 500 mulheres, empresárias ou líderes em grandes empresas, de várias nacionalidades e setores de atividade, “selecionadas pela sua relevância profissional, diversidade de áreas de trabalho e alinhamento com os valores” do ETC. Mas, quer envolver muitas mais.
O epicentro desenvolve-se, mês após mês, com um evento, onde um/a orador/a convidada/o e um tema de fundo preenchem um momento minuciosamente desenhado para resultar numa “experiência transformadora”, como refere Elsa Ramalho, a outra cofundadora da comunidade, gestora de formação e empresária há 22 anos. Que se define como uma “sonhadora com os pés bem assentes na terra”, daquelas que inabalavelmente acreditam que cada pessoa “tem muito mais poder do que aquele que se atribui”.
Uma convicção que o Executive Tea Club infunde a cada encontro, por interposta degustação de um cuidado menu preparado, num formato que é organizado para resultar pleno de conteúdo (já lá iremos…).
“As sessões acontecem sempre num local charmoso e todas as mulheres são convidadas a aprimorar-se especialmente para o momento. É uma forma de valorizarmos a ocasião e, com semanas tão preenchidas de permeio, pausarem uma tarde por mês, apenas para si, para trocarem ideias com pares e, além do network, conviverem e inspirarem-se mutuamente”, explica Raquel Mota Pinto.
A adversidade, essa grande inspiração
O Executive Tea Club encontrou inspiração em D. Catarina de Bragança, que introduziu o ritual do chá na corte britânica, no século XVII.
“Mais do que uma tradição social, quisemos recuperar o gesto histórico da rainha consorte de Inglaterra, Escócia e Irlanda (filha de D. João IV, primeiro rei da Casa de Bragança em Portugal) e reinterpretá-lo num contexto contemporâneo, criando um ambiente exclusivo para mulheres executivas se conectarem com intenção, elegância e propósito”, sublinha Raquel Mota Pinto. Sem deixar de lembrar o contexto sociopolítico adverso que terá levado a esposa do rei Carlos II a engendrar uma forma de enfrentar a sua impopularidade.
Por falar em adversidade, e não obstante o papel de destaque que têm conquistado ultimamente na liderança empresarial em Portugal, de acordo com os últimos dados conhecidos, as mulheres ocuparão apenas 15% a 17% dos cargos executivos de topo nas empresas, apesar de representarem a maioria da população nacional qualificada, isto é, quase 60% dos profissionais com ensino superior no nosso País. Quanto à representatividade nos conselhos de administração (incluindo funções não executivas), ela atingirá somente cerca de 36%. E isto devido em grande medida ao impacto das metas legais de paridade de género.
Cada encontro/experiência do ETC resulta, pois então, como um “catalisador para a inspiração, o crescimento e o triunfo”, considera Raquel Mota Pinto, salientando não se tratar de uma “organização formal de serviço com estrutura institucional”, antes uma comunidade privada, curada e experiencial, que integra adicionalmente uma vertente solidária relevante.
Dela são exemplo o apoio de projetos como o MIRA – Made in Riba D’Ave (inclusão na vida ativa de desempregados), o Mama Help (canalização de recursos para pessoas com cancro da mama), entre outras iniciativas, podendo as ajudas ser contínuas ou associadas a iniciativas específicas.
Tratam-se, no fundo, de exemplos do impacto emocional que muitos encontros geram, e que permitem gerar novas parcerias, projetos ou até novas direções de vida.
