No Dia Mundial da Família, data que sublinha a importância da estabilidade e do bem-estar ao longo da vida, o Doutor Finanças acaba de lançar mais um Barómetro, desta vez dedicado à Preparação da Reforma. De acordo com o estudo realizado pelo Centro de Estudos Aplicados Católica-Lisbon*, a reforma continua a ser vista maioritariamente como um direito adquirido (59%), perceção que convive com um cenário de baixa confiança no sistema, elevada incerteza quanto ao futuro e uma evidente ausência de planeamento.
Mais de metade dos inquiridos antecipa dificuldades financeiras no futuro, num contexto em que a incerteza (38%), o medo (26%) e a ansiedade (23%) se sobrepõem às perceções mais positivas associadas a esta fase da vida, como descanso (35%) ou liberdade (15%).
O Barómetro Doutor Finanças – Preparação da Reforma traça um retrato exigente sobre a forma como os portugueses encaram o futuro: existe maior consciência sobre a importância do tema, mas essa consciência continua a não se traduzir em ação.
“Este barómetro mostra-nos que os portugueses estão mais conscientes, mas que isso ainda não se traduz em ação: não só continuam pouco preparados, como, em muitos casos, sem qualquer planeamento estruturado para a reforma. Entre a pressão do rendimento disponível e a falta de informação, há ainda um caminho importante a fazer para transformar preocupação em decisões concretas”, afirma Sérgio Cardoso, Chief Education Officer do Doutor Finanças.
Falta de confiança no sistema e de literacia financeira agrava perceção de risco
A perceção de risco é reforçada pela desconfiança no sistema público. Cerca de 47% dos portugueses não acreditam que a Segurança Social consiga garantir o pagamento de pensões no futuro, e 55% consideram que a pensão pública não será suficiente para manter o nível de vida.
Esta perceção é agravada por lacunas significativas ao nível da literacia financeira, de que são exemplo os 33% dos inquiridos que admitem não saber quanto irão receber na reforma (65% nunca fizeram qualquer simulação da pensão) e os 73% que desconhecem quanto precisam poupar para manter o nível de vida após a reforma. Como consequência, mais de metade dos inquiridos (54%) antecipa dificuldades financeiras na reforma, 32% acreditam que terão dificuldades em manter o nível de vida e 22% receiam não conseguir cobrir despesas essenciais. Não obstante, aproximadamente 31% admitem adiar o planeamento da reforma.
Poupança limitada e condicionada pelo rendimento
No paradigma da poupança, os dados realçam uma realidade desigual. Embora 68% afirmem poupar para a reforma, apenas 34% o fazem de forma regular, enquanto 25% poupam de forma irregular e 31% não poupam de todo.
A principal barreira apontada, por mais de metade dos inquiridos, é a falta de rendimento, muito acima de fatores como falta de prioridade ou disciplina. Entre as soluções mais utilizadas, destacam-se os PPR e fundos, e os depósitos a prazo, o que evidencia uma preferência por produtos conservadores. Ainda assim, 26% dos portugueses não recorrem a qualquer instrumento de poupança.
Perante este cenário, mais de metade dos portugueses (52%) admite continuar a trabalhar após a idade da reforma, seja a tempo inteiro ou parcial, face à necessidade de complementar o rendimento.
As mulheres destacam-se como o grupo mais vulnerável neste retrato. Apresentam níveis mais elevados de medo e ansiedade face à reforma e revelam maior incerteza quanto ao futuro, evidenciando uma desigualdade na forma como esta fase da vida é antecipada.
Esta maior apreensão surge num contexto em que os sentimentos negativos associados à reforma superam claramente os positivos, sinalizando fragilidades no planeamento e na previsibilidade financeira.
Contrariando a perceção mais comum, são os mais jovens que revelam maior consciência e preocupação com a reforma. As faixas etárias entre os 25 e os 45 anos demonstram maior sensibilização para o tema e maior predisposição para poupar, sinalizando uma mudança geracional na abordagem ao futuro financeiro.
Saúde lidera o top das preocupações na fase da reforma
A saúde surge como a principal preocupação associada a esta fase da vida (81%), seguida da dependência de familiares (30%) e da perda de rendimento (29%). Os custos da habitação (23%) também assumem alguma relevância, indicando que as despesas fixas continuam a ser uma fonte de pressão.
Ainda assim, a reforma continua a ser idealizada como um período positivo, sobretudo associado ao lazer, com destaque para viajar (58%) e passar mais tempo com família e amigos.
Necessidade de reforçar a educação financeira nas escolas é consensual
O estudo revela ainda uma forte abertura ao aconselhamento financeiro, com 81% dos portugueses a admitirem que utilizariam este tipo de apoio para planear a reforma. Paralelamente, existe um consenso praticamente generalizado sobre a necessidade de reforçar a educação financeira nas escolas, com 92% a defenderem uma maior preparação das novas gerações para decisões financeiras de longo prazo.
No seu conjunto, o Barómetro Doutor Finanças – Preparação da Reforma evidencia um país que reconhece o desafio da reforma, mas que continua a enfrentar limitações estruturais – ao nível do rendimento, do conhecimento e da consistência dos comportamentos – que dificultam uma preparação eficaz para o futuro.
Aceda aqui ao Barómetro Doutor Finanças – Preparação da Reforma.
*Ficha Técnica
O Barómetro Doutor Finanças – Preparação da Reforma resulta de um estudo realizado pelo Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Universidade Católica Portuguesa, em colaboração com o Doutor Finanças.
O trabalho de campo decorreu entre 25 de fevereiro e 12 de março de 2026, com base numa amostra de 700 indivíduos com 18 ou mais anos, residentes em Portugal. A recolha de informação foi realizada através de entrevistas telefónicas (método CATI). Os resultados foram ponderados de acordo com a distribuição da população portuguesa por sexo, idade, nível de escolaridade e região, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística, garantindo a representatividade nacional.
A margem de erro máxima é de 4%, para um nível de confiança de 95%.
