A Randstad Portugal acaba de lançar o estudo “O mercado de trabalho em Portugal: uma análise comparativa na UE”, que analisa a dinâmica do talento nacional face ao panorama europeu. Com base em dados ajustados do Eurostat relativos ao 4º trimestre de 2025, o relatório conclui que, apesar de uma forte trajetória de convergência nas últimas décadas, Portugal continua a debater-se com desafios estruturais severos que o afastam das economias europeias mais avançadas.
Mais participação e mais emprego do que a média europeia
Portugal regista atualmente uma taxa de atividade de 79,1%, superando a média da União Europeia em 3,5 pontos percentuais. Em paralelo, a taxa de inatividade (20,9%) mantém-se significativamente abaixo da média europeia (24,4%). Esta evolução tem sido fortemente impulsionada pela crescente participação das mulheres no mercado de trabalho. Desde 1995, a taxa de atividade feminina subiu de 59,1% para 75,7%, aproximando-se progressivamente da masculina.
Também a taxa de emprego acompanha esta tendência positiva. Em 2024, fixou-se nos 72,8%, acima da média europeia, refletindo uma recuperação consistente face aos mínimos registados durante a crise financeira.
A taxa de desemprego em Portugal situou-se nos 5,8% no final de 2025, ligeiramente abaixo da média europeia (5,9%), posicionando o país em linha com economias mais estáveis.
No entanto, a análise revela um desequilíbrio geracional significativo. O rácio entre a taxa de desemprego jovem e a taxa de desemprego total é de 3,4, bastante acima da média europeia (2,5), evidenciando dificuldades persistentes na entrada dos jovens no mercado de trabalho.
Horários longos continuam a marcar o mercado de trabalho
9,1% dos trabalhadores em Portugal têm jornadas de trabalho longas, acima da média europeia (6,5%), o que coloca o país na 4.ª posição do ranking. Esta realidade afeta de forma desproporcional empregadores e trabalhadores por conta própria, evidenciando uma cultura de trabalho mais intensiva em horas do que a observada noutras economias europeias.
Mais qualificação, mas ainda longe dos líderes europeus
36,2% dos ativos tem ensino superior em Portugal, situando-se 3 p.p. abaixo da UE. Apesar de ocupar uma posição intermédia no ranking, ainda regista uma distância considerável face a líderes europeus. A análise histórica demonstra uma qualificação sem precedentes da força de trabalho nacional: a proporção de ativos com formação superior triplicou desde 1992, subindo de 11,4% para os atuais 33,7% no fecho de 2024.
No 4T de 2025, Portugal apresentou a maior percentagem da UE de profissionais com baixas qualificações (29,1%), valor que duplica a média europeia (14,7%). Este indicador coloca o país na pior posição do ranking. Apesar do posicionamento atual, a evolução histórica revela um progresso: em 1992, quase a totalidade dos profissionais (76,9%) tinha baixas qualificações.
O peso de profissionais pouco qualificados caiu de 76,9% em 1992 para 32,2% em 2024. No entanto, com 29,1% em 2025, Portugal ainda detém a maior percentagem da UE nesta categoria.
Estrangeiros ganham peso na força de trabalho, mas continua abaixo da média europeia
A análise da Randstad Research refere que no quarto trimestre de 2025, o peso de cidadãos estrangeiros na população ativa em Portugal fixou-se em 7,9%, valor que permanece abaixo da UE (10,5%) e distante de países como o Luxemburgo ou inclusive a Espanha. Este aumento nos últimos 2 anos reflete a nova dinâmica de atração de talento e a importância crescente da imigração para a sustentabilidade do mercado de trabalho português.
“Nas últimas quatro décadas, o mercado de trabalho em Portugal mudou profundamente. Desde a entrada na então CEE, em 1986, até 2025, o país aproximou-se da média europeia e, em alguns indicadores, até conseguiu ultrapassá-la. Hoje, destaca-se pela forte participação no mercado de trabalho, muito impulsionada pelas mulheres e, mais recentemente, também pela imigração. Ao mesmo tempo, a força de trabalho está mais qualificada. Ainda assim, continuam a existir desafios importantes, como a elevada percentagem de trabalhadores com baixas qualificações, uma cultura de horários longos e, sobretudo, a dificuldade dos jovens em entrar no mercado de trabalho, que continua a ser um dos principais problemas. afirma Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal.
Para mais informações, consulte o site https://www.randstad.pt/randstad-research/.
