Mais de metade das empresas considera complexos os novos mandatos de conformidade fiscal nacionais e internacionais, enquanto 44% afirma que as alterações regulatórias, as novas obrigações de e-reporting e os requisitos de faturação eletrónica estão a acontecer demasiado depressa para serem geridos de forma eficaz. As conclusões constam do relatório The Speed of Regulatory Change and AI Are Redefining Global Tax Compliance, desenvolvido pela Sovos em parceria com a CFO Dive’s StudioID, e reforçam a relevância dos temas debatidos no evento Tax Compliance Summit 2026, realizado no dia 13 de maio, na Quinta da Pimenteira, em Lisboa.
O estudo revela ainda que o ritmo dos novos mandatos governamentais e das alterações regulatórias é apontado como o principal risco de conformidade para os próximos dois a três anos por 61% dos inquiridos. A crescente complexidade das operações globais surge logo depois, referida por 56% dos participantes. No domínio da Inteligência Artificial (IA) aplicada à fiscalidade, mais de metade dos inquiridos identifica a precisão dos dados e dos insights como a capacidade mais relevante, enquanto 46% destaca a necessidade de equilibrar eficiência e segurança.
Num contexto em que a velocidade da mudança regulatória está a aumentar a pressão sobre empresas, administrações fiscais e equipas financeiras, a Sovos, líder global em soluções de faturação eletrónica e conformidade fiscal, reuniu especialistas no evento Tax Compliance Summit 2026. O encontro contou com representantes de oito autoridades fiscais, de Portugal, Espanha, Itália, Irlanda, Eslováquia, Malta, Grécia e Roménia, promovendo uma discussão internacional sobre a forma como empresas e administrações fiscais estão a adaptar-se às novas exigências, a uma maior visibilidade transacional, à qualidade de dados e à necessidade de sistemas mais integrados.
“A conformidade fiscal entrou numa nova fase. A questão já não é apenas cumprir obrigações, mas preparar as organizações para responder com rapidez, rigor e confiança a um ambiente regulatório mais dinâmico. O Tax Compliance Summit mostrou que dados, tecnologia e colaboração entre empresas, autoridades e especialistas serão determinantes para o futuro da função fiscal”, afirma Rui Fontoura, Managing Director Europe da Sovos.
Inteligência Artificial ganha espaço na fiscalidade, mas exige supervisão humana
A discussão em torno da IA sublinhou o seu potencial para transformar processos fiscais, nomeadamente, através da interpretação e estruturação de dados, da automatização de validações, da identificação de padrões e da antecipação de riscos. No entanto, os especialistas defenderam que a tecnologia deve funcionar como suporte à decisão, e não como substituto da supervisão humana, sobretudo num domínio em que erros podem ter impacto financeiro, regulatório e reputacional.
A qualidade dos dados foi também apontada como uma condição crítica para a aplicação eficaz da IA à fiscalidade. Num ambiente marcado por alterações legislativas frequentes, sistemas legados e informação dispersa, a capacidade de garantir dados atualizados, fiáveis e interoperáveis torna-se essencial para empresas e autoridades tributárias. A par da tecnologia, foram destacados desafios como a resistência à adoção, a preparação das equipas, a segurança e a definição de responsabilidade em caso de erro.
Administração fiscal avança para serviços mais digitais e centrados no contribuinte
No encerramento do Tax Compliance Summit 2026, Cláudia Reis Duarte, Secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, enquadrou a evolução da conformidade fiscal na estratégia de digitalização da administração pública e no conceito de Always-on Tax Compliance, defendendo a passagem de uma lógica de cumprimento pontual para uma relação fiscal mais contínua, integrada e suportada por dados.
A governante destacou a visão de Administração Tributária 3.0, promovida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, e referiu medidas em curso na Autoridade Tributária e Aduaneira, como a evolução do Portal das Finanças, o reforço da assistente virtual CATiA, o videoatendimento e a aplicação de IA no e-balcão. Apesar da evolução tecnológica, Cláudia Reis Duarte sublinhou que a decisão humana, a legalidade, a proporcionalidade e a segurança jurídica devem continuar a orientar a modernização fiscal.
Uma das principais conclusões do Tax Compliance Summit 2026 foi que a conformidade fiscal deixou de ser apenas uma função de cumprimento regulatório. Num ambiente em que os governos avançam para modelos de reporte digital, maior controlo transacional e exigência acrescida sobre dados, a capacidade de adaptação, a integração entre sistemas, a supervisão humana e a qualidade da informação tornam-se fatores críticos para a resiliência das organizações.
