Maio é o mês em que comemoramos o dia da Mãe. Flores, beijinhos, postais com glitter e frases como “Mãe há só uma!”.
Pois bem: há mães e há… mães.
E há aquelas que, por detrás do papel de vítima, deixam que os filhos cresçam num campo de batalha onde há confusão entre o que é o amor e o que é a sobrevivência, e onde a única forma, que um filho sente, de ajudar a mãe… é matar o pai.
Infelizmente não estou a falar do guião de uma novela. Estou a falar de uma notícia real, do dia 29 de abril de 2025, nas Laranjeiras, em Lisboa: dois irmãos, pacatos, universitários, mataram o pai com um martelo para proteger a mãe, vítima de violência doméstica.
O país chora, aplaude os jovens ou condena o crime, e volta tudo à rotina de simplesmente apontar o dedo ao monstro — o agressor.
Afinal, é mais fácil ver vilões do que entender as vítimas.
É aqui que entra o ponto que incomoda e que ninguém gosta de ouvir — e por isso mesmo eu o repito uma e outra vez:
- Onde estava a mãe enquanto tudo isto acontecia?
- Onde está essa mulher que todos veneram em maio como uma verdadeira líder?
- A mesma que, muitas vezes, não é só incapaz de proteger os seus próprios filhos, como ainda os arrasta para o fundo do seu poço emocional?
Há mães que vivem tão imersas nas suas feridas que acabam por transformar-se num íman de tragédias. Mantêm-se presas a uma relação abusiva porque têm medo de ficar sozinhas, de não serem amadas, ou — vá-se lá entender — porque acham que merecem aquele amor de faca e alguidar.
Mas há uma linha muito fina entre ser vítima e ser cúmplice.
Quando uma mãe pede ajuda aos filhos — que mal sabem pagar o passe do metro, quanto mais intervir numa dinâmica de violência — deixa de ser apenas uma vítima e torna-se um agente da disfunção. E, se não se trata, transforma-se numa especialista em manipular o sistema emocional da casa inteira, como quem joga dominó com corações frágeis. Mesmo que de forma inconsciente!
Os filhos?
Esses, que agora enfrentam a justiça, não são monstros nem heróis. São órfãos emocionais, criados entre o medo do pai e a inércia da mãe, entre gritos e silêncios cúmplices. Aprenderam que o amor é medido em sofrimento, que o dever de um filho é salvar a mãe — mesmo que isso signifique destruir o pai. E agora, o que recebem em troca? Uma ficha criminal. Medalha de bronze no pódio da tragédia familiar.
E a mãe?
Na Amar Eva curamos primeiro para amar depois
Na Amar Eva, não nos limitamos a consolar.
Porque não basta fugir do agressor — é preciso fugir do ciclo interno que atrai agressores. Só quando a mulher conseguir olhar-se ao espelho com coragem, limpar as feridas antigas e deixar de procurar nos filhos a compensação do amor que nunca teve, é que pode tornar-se aquilo que o mundo espera dela: uma mãe de verdade, uma líder emocional, uma referência.
Ser mãe não é padecer no paraíso. É proteger no inferno, quando for preciso. É saber pedir ajuda sem carregar os filhos às costas como escudos humanos. É amar-se o suficiente para nunca permitir que os filhos precisem matar alguém para se sentirem seguros.
Neste mês de maio, oferece às mães — ou oferece-te a ti, como mãe — aquilo que realmente pode mudar tudo: a coragem de olhar para a verdade.
E, ofereçam aos vossos filhos o que eles verdadeiramente merecem — uma mãe inteira.
Amar Eva vai dar início a uma formação que pode ser o primeiro passo para te reconciliares contigo, com os teus filhos e com a líder que há em ti.
Inscreve-te e começa a amar-te desde dentro, para seres inspiração lá fora — para os teus filhos, para quem te rodeia e até para quem um dia te feriu.
Fernanda Ferreira, Professora, Mãe, Fundadora da Associação Amar Eva
Autora do livro “Eva entrega a Costela a Adão”
Vice-presidente Operativa Regional da Europa, na Rede Global de Mentores
Contacto: amareva.associacao@gmail.com
