Em Portugal, a desigualdade salarial significa que as mulheres trabalham cerca de 45 dias por ano sem remuneração equivalente. A conclusão resulta de um novo guia desenvolvido pela Factorial, plataforma de operações comerciais alimentada por Inteligência Artificial (IA), que alerta para os desafios operacionais e culturais que a nova Diretiva Europeia sobre Transparência Salarial colocará às organizações.
Esta nova diretiva europeia, que deverá ser transposta para a legislação portuguesa até 7 de junho de 2026, vem introduzir mudanças profundas na forma como as empresas gerem e comunicam as remunerações. Entre as principais novidades estão a obrigação de divulgar intervalos salariais antes da contratação, garantir critérios objetivos e neutros na definição de salários e permitir que os trabalhadores tenham acesso a informação sobre níveis médios de remuneração dentro da empresa. As organizações com mais de 100 colaboradores passarão ainda a ter obrigações formais de divulgação sobre desigualdades salariais entre homens e mulheres.
Os dados mostram que a necessidade de maior transparência continua a ser relevante. Em Portugal, as mulheres recebem em média menos 12,5% de remuneração base do que os homens, enquanto na União Europeia o diferencial médio é de 11,1%. Nas empresas privadas portuguesas, o hiato salarial pode chegar a 21,7%, evidenciando que persistem desigualdades significativas no mercado de trabalho.
Segundo o relatório, muitas organizações continuam a operar numa cultura de “segredo salarial”, em que os critérios de remuneração e progressão são pouco claros ou pouco formalizados. A transição para um modelo de transparência implica rever funções, consolidar dados remuneratórios, estruturar políticas salariais e preparar processos de reporte, o que consiste numa mudança particularmente exigente para empresas de média dimensão, entre 100 e 250 colaboradores, que passam a ter responsabilidades acrescidas de monitorização.
“A transparência salarial deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma exigência legal e organizacional. As empresas que começarem a preparar-se agora terão uma transição mais estruturada, enquanto as que deixarem para mais tarde podem enfrentar riscos legais, reputacionais e dificuldades operacionais”, afirma Inês Teixeira, Brand & Content Manager da Factorial
De acordo com o guia da Factorial, as empresas que adotarem uma abordagem estratégica à transparência salarial poderão também transformar esta mudança numa vantagem competitiva. Estruturas salariais claras e critérios transparentes tendem a
- reforçar a confiança dos colaboradores
- melhorar a retenção de talento
- posicionar-se como empregadores mais credíveis num mercado de trabalho cada vez mais exigente.
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