Um em cada dez portugueses (12%) nunca ouviu falar de produtos recondicionados. A conclusão é de um inquérito realizado pela DECO PROteste, que analisou os hábitos, perceções e experiências dos consumidores nacionais relativamente à compra de produtos em segunda mão e recondicionados.
Os dados mostram que, embora o mercado de segunda mão esteja amplamente disseminado, 74% dos inquiridos compraram pelo menos um artigo usado nos 12 meses anteriores ao estudo. Os produtos recondicionados continuam a ser menos conhecidos e adotados: apenas 38% dos portugueses afirmam já ter comprado um produto recondicionado ao longo da vida.
Ainda assim, entre quem já experimentou, a avaliação é largamente positiva. A maioria dos consumidores revela satisfação com a compra mais recente e admite voltar a optar por este tipo de produto, contrariando preconceitos ainda existentes em torno da fiabilidade e qualidade dos bens recondicionados.
De acordo com o estudo, os produtos recondicionados mais adquiridos pertencem às áreas da tecnologia e eletrónica. Os equipamentos de telecomunicações, como smartphones, lideram as preferências, tendo sido comprados por 57% dos consumidores que já adquiriram produtos recondicionados. Seguem-se os computadores, tablets e outros equipamentos tecnológicos (35%), os pequenos eletrodomésticos (22%) e os brinquedos e jogos (20%).
Importa recordar que os produtos recondicionados são artigos que, após devolução ou utilização prévia, são sujeitos a processos de inspeção, verificação, reparação e teste por profissionais qualificados, sendo novamente colocados à venda com essa identificação explícita. Desde 2022, beneficiam de três anos de garantia, tal como os produtos novos.
O perfil do consumidor de produtos recondicionados revela diferenças significativas. Os homens com menos de 32 anos apresentam maior propensão para este tipo de compra, representando quase dois terços dos consumidores que já adquiriram bens recondicionados. Em contraste, as mulheres com mais de 35 anos surgem como o grupo menos recetivo, com menos de um quarto a admitir já ter feito este tipo de compra.
Para a DECO PROteste, estes dados evidenciam a necessidade de reforçar a informação e a confiança no mercado de recondicionados, nomeadamente através de regras mais claras sobre os processos de reparação, as peças utilizadas e a identificação dos recondicionadores, de forma a garantir transparência e segurança ao consumidor.
