A entrada no ensino superior representa uma nova etapa para os estudantes e para as suas famílias. Quando a colocação implica mudar de cidade, juntam-se à propina e aos materiais académicos despesas com alojamento, alimentação, transportes e instalação que podem pesar significativamente no orçamento familiar.
Além dos encargos mensais, existem custos que surgem ainda antes da primeira aula, como a caução, as rendas antecipadas, a mudança, as compras para a casa ou a aquisição de equipamentos informáticos. Por isso, preparar esta transição exige um planeamento que considere todo o ano letivo e não apenas o primeiro mês.
A pensar nas famílias com filhos colocados longe de casa, o Doutor Finanças reuniu oito questões financeiras que devem ser consideradas antes do início das aulas.
- Mapear todas as despesas antes de definir o orçamento
O primeiro passo passa por identificar todos os custos associados à mudança e à frequência do ensino superior noutra cidade. Para facilitar este levantamento, as despesas podem ser divididas em cinco grupos: instalação, encargos mensais, custos académicos, gastos pessoais e despesas irregulares. Esta separação permite perceber quanto será necessário no início e qual será o esforço financeiro ao longo do ano.
- Avaliar o custo total do alojamento
A renda será, provavelmente, a maior despesa mensal, mas o preço anunciado não deve ser o único critério de decisão. Antes de escolher um quarto, uma residência ou uma casa partilhada, é importante perceber que despesas estão incluídas, se o contrato dura 10, 11 ou 12 meses, se o estudante pode permanecer no alojamento durante as férias e os exames e se existem encargos adicionais com eletricidade, água, gás, internet ou aquecimento.
A localização também deve ser ponderada. Um alojamento mais barato e distante da instituição de ensino pode implicar mais tempo em deslocações, vários meios de transporte ou custos adicionais que acabam por reduzir a poupança inicial.
- Antecipar cauções e rendas iniciais
O início de um contrato de arrendamento pode exigir um esforço financeiro elevado. Por acordo escrito, o senhorio pode pedir até duas rendas antecipadas e uma caução correspondente a duas rendas.
Antes de transferir qualquer valor, deve confirmar-se a identidade do senhorio ou da agência, visitar o imóvel ou solicitar uma videochamada em direto, exigir condições escritas e utilizar meios de pagamento rastreáveis. Também é aconselhável guardar o anúncio, o contrato, os comprovativos e fotografias do estado do imóvel.
- Contabilizar todos os custos académicos
A propina deve ser incluída no orçamento anual, mesmo quando é paga em prestações. Para 2026/2027, o valor máximo aplicável aos CTeSP, licenciaturas e mestrados integrados em instituições de ensino superior públicas mantém-se nos 697 euros. Nos restantes ciclos de estudo e no ensino privado, o valor deve ser confirmado diretamente junto da instituição.
Também devem ser considerados custos com matrícula, livros, software e outros materiais obrigatórios. Antes de comprar, é aconselhável aguardar pelas indicações dos docentes e verificar alternativas como bibliotecas, formatos digitais ou equipamentos disponibilizados pela instituição.
- Confirmar as necessidades informáticas antes de comprar
Um computador pode representar um dos maiores custos iniciais, sobretudo em cursos que exigem programas ou características técnicas específicas. Antes da compra, é importante confirmar junto da instituição quais são os requisitos relativos ao sistema operativo, memória, armazenamento, placa gráfica e software obrigatório.
Também deve verificar-se se existem laboratórios, licenças académicas ou equipamentos disponíveis para empréstimo. Esta análise pode evitar uma compra desnecessária ou a aquisição de um equipamento que não responda às necessidades do curso.
- Calcular os custos com alimentação e deslocações
A estimativa das despesas com alimentação deve considerar as refeições feitas no alojamento, na cantina e fora de casa. É igualmente importante consultar os preços e os horários das cantinas, incluindo a disponibilidade de refeições ao jantar e aos fins de semana.
Nos transportes, devem ser contabilizadas as deslocações diárias na cidade universitária e as viagens entre a universidade e a residência da família. O Passe Gratuito para Jovens pode abranger algumas destas deslocações, mas a gratuitidade não significa necessariamente que todas as viagens a casa estejam incluídas. Por isso, devem ser confirmadas as ligações abrangidas e acrescentados ao orçamento eventuais bilhetes de comboio, autocarro, bagagem ou transportes noturnos.
- Procurar bolsas, apoios e benefícios fiscais
As bolsas de estudo e os apoios ao alojamento podem ajudar a reduzir o esforço financeiro das famílias. A candidatura e os respetivos prazos devem ser confirmados junto da Direção-Geral do Ensino Superior ou dos Serviços de Ação Social da instituição.
Também podem existir benefícios fiscais associados ao alojamento de estudantes deslocados. Quando o estudante tem até 25 anos e estuda a mais de 50 quilómetros da residência permanente do agregado familiar, pode ser possível deduzir 30% das rendas suportadas, até ao limite anual de 400 euros.
Nestes casos, o limite global das deduções de despesas de educação no IRS pode aumentar de 800 para 1.100 euros. Para beneficiar desta dedução, os documentos devem identificar o arrendamento como destinado a estudante deslocado e a informação deve ser corretamente comunicada à Autoridade Tributária.
- Criar uma reserva e rever o orçamento após o primeiro mês
Além das despesas regulares, é importante prever uma verba para gastos pessoais e imprevistos, como higiene, lazer, medicamentos, reparações ou viagens urgentes. Excluir estas despesas pode levar o estudante a utilizar dinheiro destinado à renda ou à alimentação.
O orçamento deve ser revisto após o primeiro mês de aulas. Esse período permitirá perceber quanto é efetivamente gasto em alimentação, deslocações, lazer e outras despesas pessoais, ajustando os limites definidos sem comprometer o pagamento do alojamento ou a reserva para imprevistos.
O artigo completo “O seu filho ficou colocado longe de casa? O que deve considerar?” está disponível no portal do Doutor Finanças, com informação detalhada sobre alojamento, cauções, propinas, alimentação, transportes, equipamentos, bolsas de estudo, benefícios fiscais e preparação do orçamento para todo o ano letivo.
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.
