17 dias de celebração literária contam com mais de 200 atividades, 144 stands e, pela primeira vez, vozes do panorama cultural internacional
É já a partir das 12 horas de sexta-feira, 21 de agosto, que arranca a 13.ª edição da Feira do Livro do Porto (FLP). Ao longo de 17 dias, há muitos livros para descobrir e folhear entre o verde dos Jardins do Palácio de Cristal, numa edição que presta homenagem a uma das vozes poéticas da cidade. Inês Lourenço, de 83 anos, nasceu, cresceu e vive no Porto, local que continua a inspirar a sua obra e que é agora celebrada com um ciclo programático que integra conversas, um concerto, uma exposição e, entre outros momentos, a cerimónia de atribuição da Tília de Homenagem. A programação desta edição é assinada por Teresa Coutinho, a homenagem comissariada por Helena Teixeira da Silva e as Quintas de Leitura e sessões especiais dirigidas por João Gesta, reunindo mais de 200 atividades e 144 stands que podem ser visitados até 6 de setembro.
Uma edição poética que honra o feminino e quebra fronteiras
Em 2026, a Feira do Livro expande-se não só na Avenida das Tílias, com a presença de mais stands – numa edição que reúne 23 alfarrabistas, 101 editoras e nove instituições –, mas acima de tudo na oferta programática e nas reflexões que propõe através dos seus convidados nacionais e, pela primeira vez, internacionais. Com mais de 400 horas de programação, a FLP volta a incentivar a celebração da leitura, a escuta ativa, a reflexão sobre temas atuais, através de conversas, concertos e apresentações de livros. Pensada para todos, esta edição abraça, de forma ainda mais vincada, a participação do público mais novo, apresentando uma programação infantojuvenil com mais de 83 atividades – que integram, pela primeira vez, iniciativas para adolescentes.
O primeiro compasso do dia de arranque da FLP faz-se ao cair da tarde, com a música a tomar a emblemática Concha Acústica às 19 horas, num concerto intimista a duas vozes e acordes por Manuela Azevedo & Hélder Gonçalves. Depois, às 21 horas, a celebração do legado de Inês Lourenço ganha forma no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, onde alunos do Balleteatro apresentam uma leitura encenada da sua poesia dedicada ao conflito na Palestina, sob a orientação de Teresa Coutinho e inspirada no verso “Invento uma forma de não enlouquecer”.
Logo no primeiro dia, a literatura transborda também para lá dos portões dos Jardins do Palácio de Cristal e chega ao Pinguim Café para o inédito After-Hours da Feira. Estes encontros vão dar-se num ambiental mais informal e decorrem todos os dias da FLP. De domingo a quinta-feira a iniciativa arranca às 17 e prolonga-se até 2 horas. Às sextas-feiras e sábado os serões, que querem aproximar leitores e visitantes dos autores e artistas, têm mais uma hora, terminando às 3 horas.
Uma tília que consagra uma obra com raízes no Porto
O tributo a Inês Lourenço ganha plena expressão no sábado, 22 de agosto, começando às 12 horas com a inauguração oficial da exposição Na Lâmina Implacável do Tempo, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, na presença da autora, do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, e do vereador da Cultura, Jorge Sobrado. Longe de uma retrospetiva convencional, a mostra, que conta com a curadoria de Rita Roque, desvenda o arquivo pessoal da autora através de manuscritos, correspondência e obras de arte que revelam as suas redes de criação, assinalando ainda o lançamento da edição inédita Páginas Revisitadas – Cadernos Hífen (1987–1999) e a exibição de um filme-entrevista assinado por Armando Guilherme.
A consagração atinge o seu auge simbólico às 15 horas, momento em que a cidade atribui à poeta uma das tílias dos Jardins do Palácio de Cristal, inscrevendo-a ao lado de referências como Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade ou Manuel António Pina. A tarde prossegue com o concerto de homenagem na Concha Acústica, às 16 horas, juntando a pianista Sofia Lourenço (filha da autora), o clarinetista Horácio Ferreira e o ator António Durães, num debate em torno dos labirintos da sua escrita. O auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett acolhe, às 21 horas, a projeção do filme Esplendor na Relva, de Elia Kazan, comentado pela homenageada.
Um caderno infantojuvenil que aproxima a literatura de várias idades
Em 2026, a Feira do Livro do Porto apresenta, pela primeira vez, o lançamento de um caderno infantojuvenil, exclusivamente pensado para os leitores mais novos. O momento assume-se também como um dos pontos altos de sábado e decorre às 14h30, na Sala Infantojuvenil, com a presença de Pedro Duarte e da ilustradora portuense Franpancispiscapa, que vai guiar a atividade proposta para enriquecer a sessão. Os participantes vão ter a oportunidade de criar um marcador de livros, recorrendo ao desenho, pintura e colagem, numa atividade onde o recurso principal é a imaginação.
O caderno infantojuvenil integra mais de 100 horas de programação dirigidas a famílias, crianças e adolescentes, desdobrando-se entre oficinas, horas do conto, um Consultório de Leitura e espetáculos. Ao cruzar a formação de novos públicos com as restantes propostas programáticas, a Feira do Livro do Porto reafirma os Jardins do Palácio de Cristal como uma casa aberta à imaginação e ao diálogo, onde até 6 de setembro a cidade se reencontra com o poder transformador da palavra.
