Já tinha conduzido o anterior BYD ATTO 3 e, embora tenha reconhecido as suas qualidades, havia alguns elementos que nunca me convenceram totalmente. Por isso, quando recebi o novo BYD ATTO 3 EVO para mais um ensaio, estava particularmente curioso para perceber se estávamos perante uma simples atualização ou diante de uma evolução verdadeiramente significativa.
Depois de vários quilómetros ao volante, a minha conclusão é clara: este ATTO 3 EVO está muito mais bem conseguido.
Não perdeu a personalidade do modelo anterior, mas apresenta-se agora mais maduro, mais equilibrado e com uma condução muito mais interessante. A BYD não se limitou a alterar alguns pormenores estéticos. Trabalhou o design, melhorou o interior, aumentou a potência, mudou a configuração mecânica e tornou este SUV elétrico mais competente em praticamente todos os aspetos.
Um exterior mais limpo e desportivo
Uma das alterações que mais apreciei está na lateral traseira. No modelo anterior existia uma espécie de padrão semelhante a “escamas”, um elemento que, pessoalmente, nunca gostei de ver.
Felizmente, desapareceu.
Pode parecer apenas um pequeno detalhe, mas a sua remoção tornou o perfil do ATTO 3 EVO muito mais limpo, coerente e elegante. Por vezes, retirar é tão importante como acrescentar, e esta foi uma daquelas decisões que melhorou imediatamente a aparência do automóvel.
A traseira também está bastante mais interessante. As novas óticas apresentam uma assinatura luminosa muito bonita e criam um efeito visual moderno, especialmente durante a noite. Há agora uma sensação de maior largura e presença, sem que o desenho se torne excessivamente pesado.
Outro pormenor que merece destaque é o terceiro stop, agora dividido em dois elementos. Esta solução, combinada com o spoiler traseiro, confere-lhe uma imagem mais desportiva e diferenciadora.
O resultado é um SUV visualmente mais apurado. Continua facilmente reconhecível como um BYD ATTO 3, mas parece agora ter encontrado uma identidade mais adulta e menos dependente de detalhes demasiado exuberantes.
Finalmente, um painel de instrumentos maior
Uma das minhas maiores críticas ao anterior ATTO 3 estava no pequeno painel digital colocado à frente do condutor. Tinha demasiada informação concentrada num ecrã demasiado reduzido, obrigando a um esforço adicional para consultar alguns dados durante a condução.
A BYD ouviu as críticas e corrigiu o problema.
O novo ATTO 3 EVO recebe um painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas, bastante maior e com uma apresentação mais clara. A leitura da velocidade, autonomia, consumos e restantes informações tornou-se mais rápida e natural.
É uma alteração que pode não parecer revolucionária numa ficha técnica, mas faz uma diferença considerável no dia a dia. Num automóvel moderno, especialmente num elétrico com múltiplas informações disponíveis, a legibilidade deve ser imediata.
Ao centro continua a existir o grande ecrã tátil de 15,6 polegadas, agora com serviços Google integrados, incluindo Google Maps, Google Assistant e acesso a aplicações desenvolvidas para utilização automóvel.
O seletor mudou de lugar
Outra alteração importante aconteceu no seletor de mudanças, que deixou a consola central e passou para junto da coluna de direção.
Tenho de ser honesto: não gosto desta solução.
Não gosto de a ver nem gosto particularmente de a utilizar, seja neste ou em qualquer outro automóvel. É uma questão de preferência pessoal e de hábito. Continuo a preferir um comando colocado na consola central, numa posição mais tradicional e intuitiva.
Ainda assim, compreendo perfeitamente a decisão.
Ao colocar o seletor junto ao volante, a BYD libertou espaço na consola central e reduziu a necessidade de o condutor afastar a mão da área do volante. Em determinadas situações, esta solução pode tornar a utilização mais prática e contribuir para que o condutor mantenha a atenção na estrada.
Portanto, mesmo não sendo uma alteração do meu agrado, reconheço a sua lógica funcional e de segurança.
313 cv que mudam completamente o carácter
Foi na condução que encontrei uma das maiores diferenças em relação ao antecessor.
A versão Design que conduzi apresenta um motor elétrico traseiro com 313 cv e 380 Nm de binário. A mudança da tração dianteira para a tração traseira altera de forma evidente o comportamento do automóvel.
O novo ATTO 3 EVO está mais ágil, mais rápido e mais envolvente. Não tenta transformar-se num SUV desportivo radical, mas passou a ter uma resposta muito mais convincente quando pressionamos o acelerador.
Os 313 cv permitem cumprir os 0 aos 100 km/h em 5,5 segundos, um valor mais do que suficiente para surpreender alguns condutores e deixar os passageiros colados aos bancos.
A entrega de potência é imediata, como seria de esperar num elétrico, mas não se torna difícil de controlar. Existe força disponível praticamente a qualquer velocidade, seja para realizar uma ultrapassagem, entrar numa via rápida ou simplesmente aproveitar uma estrada com algumas curvas.
Gostei particularmente da forma como o ATTO 3 EVO combina rapidez com facilidade de condução. É um automóvel que se conduz sem esforço no trânsito urbano, mas que responde com determinação quando lhe pedimos mais.
A nova configuração de tração traseira e a suspensão posterior multilink de cinco braços contribuem para um comportamento mais equilibrado e dinâmico.
Confortável sem perder agilidade
Apesar do aumento de potência, o conforto continua a ser uma das qualidades do ATTO 3 EVO.
A suspensão filtra bem as irregularidades do piso e mantém o habitáculo estável, mesmo em estradas menos cuidadas. Os bancos são confortáveis, a posição de condução elevada transmite uma boa sensação de controlo e a visibilidade é adequada à utilização familiar.
Em cidade, o ATTO 3 EVO é fácil de conduzir e mais ágil do que as suas dimensões podem sugerir. A resposta imediata do motor ajuda nas mudanças de faixa e nas entradas em rotundas, enquanto as câmaras e os sensores facilitam as manobras.
Quando saímos dos centros urbanos e entramos em estradas mais sinuosas, encontramos um automóvel seguro e previsível. A carroçaria apresenta algum movimento, como é natural num SUV confortável, mas nunca transmite falta de controlo.
Não é um automóvel desenvolvido exclusivamente para atacar curvas. Ainda assim, consegue divertir e transmitir confiança, sobretudo quando utilizamos o modo Sport e exploramos os 313 cv disponíveis.
Autonomia próxima dos valores anunciados
Durante o meu ensaio, realizado entre autoestrada, estradas nacionais e percursos urbanos, a autonomia rondou os 500 quilómetros.
É um resultado muito positivo, especialmente considerando que não conduzi sempre com o objetivo de maximizar a eficiência. Houve momentos em que explorei a potência e a capacidade de aceleração, mas também muitos quilómetros percorridos em condições normais de utilização.
A versão Design anuncia até 510 quilómetros de autonomia combinada no ciclo WLTP, graças à bateria Blade de 74,8 kWh. A autonomia obtida durante o ensaio ficou, portanto, muito próxima do valor oficial.
Naturalmente, fatores como velocidade, temperatura, utilização da climatização, trânsito e estilo de condução influenciam os resultados. Ainda assim, perceber que é possível aproximarmo-nos dos 500 quilómetros numa utilização mista torna este ATTO 3 EVO muito mais versátil.
Além da maior bateria, o modelo suporta carregamentos rápidos até 220 kW em corrente contínua, permitindo recuperar dos 10% aos 80% em cerca de 25 minutos, quando utilizado um carregador compatível e em condições ideais.
É uma evolução importante para quem pretende utilizar o automóvel não apenas em cidade, mas também em viagens mais longas.
Mais espaço para a vida familiar
O novo ATTO 3 EVO mantém as dimensões exteriores do modelo anterior, mas aproveita melhor o espaço disponível.
A bagageira aumentou para 490 litros, mais 50 litros do que antes, podendo chegar aos 1.360 litros com os bancos traseiros rebatidos. Na dianteira encontramos ainda um novo compartimento com 101 litros, particularmente útil para guardar os cabos de carregamento ou pequenos objetos.
Esta combinação aumenta a versatilidade do modelo e evita que os cabos ocupem espaço na bagageira principal. É uma solução prática, sobretudo para famílias ou para quem transporta frequentemente bagagem.
Nos lugares traseiros existe bom espaço para pernas e um piso praticamente plano, facilitando a utilização do lugar central. O habitáculo transmite uma sensação de espaço agradável e está bem preparado para viagens mais longas.
Uma evolução que faz sentido
Ao terminar este ensaio, fiquei com a sensação de que a BYD não quis simplesmente atualizar o ATTO 3. Quis corrigir os pontos menos conseguidos e transformar o modelo num produto mais completo.
As alterações exteriores tornaram-no mais elegante e desportivo. O novo painel de instrumentos resolveu uma das principais limitações do interior. A potência aumentou significativamente, a tração traseira melhorou o comportamento e a autonomia passou a permitir viagens longas com maior tranquilidade.
Continuo a não gostar do seletor de mudanças junto ao volante, mas reconheço que é uma solução funcional. Em contrapartida, continuo a adorar as “cordas de viola” nas portas e aquele puxador embutido junto à coluna, dois elementos que mantêm viva a personalidade irreverente do ATTO 3.
E talvez seja esse o maior mérito deste EVO.
Evoluiu sem perder aquilo que o tornava diferente.
O BYD ATTO 3 EVO está mais rápido, mais confortável, mais ágil e muito mais equilibrado. É um automóvel capaz de cumprir as tarefas familiares durante a semana, enfrentar uma viagem longa ao fim de semana e ainda proporcionar alguma diversão sempre que decidimos explorar os seus 313 cv.
Depois de ter conduzido o antecessor, não tenho dúvidas: este está muito mais bem conseguido.
Não é apenas um ATTO 3 com algumas alterações. É o automóvel que, provavelmente, o ATTO 3 sempre deveria ter sido.
