A rápida evolução tecnológica e a utilização da Inteligência Artificial (IA), a crescente dependência de infraestruturas digitais críticas e interligadas e o alcance potencial das vulnerabilidades, bem como a velocidade em que estas são identificadas e exploradas, estão a transformar o panorama das ameaças à cibersegurança. Proteger os sistemas, os dados e a continuidade das operações tornou-se, hoje, um desafio estratégico para as organizações, impactando diretamente a função dos líderes tecnológicos.
O estudo CIO 2026 Outlook, da Experis, baseado nas respostas de 1.930 CIOs, CTOs, CISOs e outros líderes tecnológicos seniores de todo o mundo, revela que a cibersegurança continua a ocupar um lugar central nas preocupações e prioridades dos responsáveis tecnológicos. No entanto as organizações continuam a enfrentar importantes desafios nesta área, que estão associados tanto ameaças externas como a fatores internos ligados a adoção. Os incidentes e as vulnerabilidades divulgados ao longo de outubro, associados ao enquadramento designado de Black October, ilustram a complexidade deste momento e o desafio que representa para os CIOs.
“A recente vaga de ciberataques, associada ao Black October, reforça a importância de colocar a cibersegurança no centro das prioridades estratégicas das organizações e não apenas como uma responsabilidade das áreas tecnológicas. A governação do risco cibernético deve ser assumida ao nível dos Conselhos de Administração, integrando a avaliação das ameaças emergentes, incluindo as potenciadas pela Inteligência Artificial, e a definição de medidas de prevenção e resposta. Para os líderes empresariais e tecnológicos, o desafio passa por assegurar que a cibersegurança acompanha as decisões estratégicas de transformação digital, com investimento adequado em tecnologia, talento especializado, processos de resposta e capacitação dos trabalhadores.”, afirma Nuno Ferro, Brand Leader da Experis.
Black October evidencia a velocidade e a complexidade das ameaças
A sucessão de incidentes e vulnerabilidades em outubro deste ano, já apelidado de Black October, ilustra a crescente complexidade do panorama de cibersegurança. Entre os acontecimentos destacados está a divulgação, a 21 de outubro, de duas vulnerabilidades críticas no PHP, uma linguagem de programação amplamente utilizada na Internet, que permitem a execução remota de código e o acesso a informação sensível.
Em paralelo, a evolução das ferramentas de Inteligência Artificial está a alterar a velocidade a que as vulnerabilidades podem ser identificadas e exploradas. Embora estas ferramentas possam apoiar a investigação e a deteção de falhas de segurança, também podem ser utilizadas por agentes maliciosos para acelerar e ampliar as suas operações.
Segundo os dados do Microsoft Digital Defense Report 2026, o intervalo mediano entre a descoberta de vulnerabilidades exploradas ativamente e a sua transformação em ferramentas de ataque caiu para menos de 24 horas. Em contrapartida, a correção empresarial de vulnerabilidades críticas externas pode demorar entre 30 e 60 dias. Esta diferença entre a velocidade de exploração e o tempo necessário para corrigir vulnerabilidades reforça a pressão sobre as equipas tecnológicas e a importância de identificar riscos, aplicar correções atempadamente e coordenar respostas eficazes.
Cibersegurança é a principal preocupação e uma prioridade para os líderes tecnológicos
O estudo revela que, em 2026, 41% dos líderes tecnológicos identificam a cibersegurança como a sua maior preocupação, muito acima de outras questões, como garantir a continuidade das operações (16%) ou otimizar e modernizar os sistemas tecnológicos (15%). Em paralelo, 37% apontam o reforço da cibersegurança como uma das principais prioridades dos CIOs, mais dois pontos percentuais do que em 2025, só sendo ultrapassada pela necessidade de alinhamento entre prioridades tecnológicas e de negócios (48%).
A crescente preocupação com os riscos digitais reflete-se também nas prioridades orçamentais dos CIOs e dos líderes de TI. Em 2026, a cibersegurança e a soberania digital destacam-se como as áreas em que os responsáveis tecnológicos mais preveem reforçar o investimento, apontadas por 78% e 69% dos líderes do setor, respetivamente, evidenciando a importância de proteger as organizações e garantir maior controlo sobre as suas infraestruturas e recursos tecnológicos.
Apesar dos investimentos, diminui a confiança na preparação das organizações e no alinhamento da gestão do risco
Apesar da crescente prioridade atribuída à cibersegurança, o estudo identifica uma redução na confiança na preparação das organizações. Em 2026, há 72% dos líderes tecnológicos que afirmam que a estratégia de risco está alinhada com a preparação da sua organização em matéria de cibersegurança. No entanto este valor traduz um abrandamento de cinco pontos percentuais face ao sentimento de 2025. As organizações estão a investir mais em cibersegurança e soberania digital, mas a evolução tecnológica e o contexto de ameaças globais estão também a tornar a gestão do risco mais complexa.
Já a nível interno, os CIOs identificam também alguns fatores que explicam as atuais limitações no alinhamento. Assim, a formação dos trabalhadores continua a representar um desafio, com apenas 72% dos inquiridos a indicar que as suas organizações realizam regularmente formação em cibersegurança, uma descida face aos 74% registados no ano anterior. Por outro lado, a escassez de competência representa uma limitação importante à concretização das estratégias. De facto, a cibersegurança lidera a lista das competências tecnológicas consideradas mais importantes pelos CIOs, com 46% das respostas, no entanto o acesso a estas competências continua problemático. De acordo com os dados do Global Talent Shortage 2026, 17% dos empregadores a nível global identificam as competências tecnológicas entre as mais escassas.
Esta realidade reforça a necessidade de as organizações combinarem o investimento em tecnologia com estratégias de desenvolvimento de competências, formação e acesso a talento especializado. A capacidade de responder às ameaças depende não apenas das ferramentas disponíveis, mas também das pessoas que as implementam, gerem e utilizam.
Os incidentes recentes mostram que a cibersegurança assume, cada vez mais, uma dimensão que ultrapassa as áreas de Tecnologias de Informação. A gestão do risco, a continuidade das operações e a resposta a incidentes devem integrar as decisões estratégicas e os modelos de governação das organizações, envolvendo também a gestão de topo e os conselhos de administração.
O Experis CIO Outlook 2026 evidencia também que reforçar o investimento em cibersegurança é apenas uma parte da resposta a um cenário de ameaças em rápida evolução. A capacidade de proteger as organizações depende também do compromisso da direção, da qualidade dos processos de gestão do risco, da preparação dos trabalhadores e do acesso a competências especializadas. Num contexto em que a cibersegurança assume uma importância crescente nas decisões de negócio, tecnologia, pessoas e governação têm de fazer parte da mesma estratégia.
O estudo completo CIO 2026 Outlook da Experis está disponível para consulta aqui.
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