Acreditar que o futuro da mobilidade se constrói com inovação, propósito e pessoas é uma das ideias que define a visão de Miguel Pinto, diretor-geral da Polestar em Portugal. Num setor em profunda transformação, liderar uma marca 100% elétrica é muito mais do que acompanhar a evolução tecnológica: é desafiar convenções, criar novas experiências e contribuir para uma mobilidade mais responsável. Com um percurso ligado à indústria automóvel e uma liderança assente na integridade, na proximidade e na confiança, Miguel Pinto fala-nos dos desafios de afirmar a Polestar no mercado português, da importância do design e da sustentabilidade e da ambição de construir uma marca que se distingue não apenas pelos automóveis que cria, mas também pelos valores que representa.
Quem é o Miguel Pinto?
Sou, antes de mais, uma pessoa movida pela curiosidade, pelas relações humanas e por uma paixão antiga pelo automóvel e pela mobilidade. Profissionalmente, tenho o privilégio de liderar a Polestar em Portugal num dos momentos mais transformadores da indústria. Pessoalmente, sou marido e pai de duas filhas, e isso dá ainda mais significado à ideia de contribuir para uma mobilidade mais responsável e para um futuro melhor. Encaro esta missão com sentido de responsabilidade, entusiasmo e muita vontade de continuar a aprender.
Como caracteriza o seu percurso profissional?
O meu percurso foi sempre muito ligado ao setor automóvel e permitiu-me conhecer diferentes dimensões do negócio. Trabalhei com marcas em que a inovação, a performance e a experiência do cliente são determinantes, e tive também desafios além-fronteiras que me fizeram crescer profissional e humanamente. Essa diversidade ensinou-me a olhar para o negócio de forma global, sem perder a atenção ao mercado local, às equipas e às pessoas que estão por detrás de cada resultado.
O que sente que o diferencia?
Talvez a capacidade de conjugar visão estratégica com proximidade humana. Gosto de estar próximo das equipas, dos parceiros e dos clientes, ouvir antes de decidir e liderar pelo exemplo. Acredito que os melhores resultados surgem quando há clareza, confiança e um propósito partilhado. Sou exigente, sobretudo comigo próprio, mas procuro nunca perder de vista as pessoas nem o impacto de longo prazo das decisões.
Como caracteriza um profissional de sucesso?
Um profissional de sucesso não é apenas alguém que alcança resultados. É alguém que os alcança de forma ética, consistente e mobilizadora. É capaz de criar confiança, formar equipas fortes, reconhecer o contributo dos outros e deixar um legado positivo. Os números são essenciais, mas a forma como lá chegamos diz muito sobre o tipo de liderança que exercemos.
Como tem sido, a nível pessoal e profissional, liderar a Polestar num mercado como o português, que está a mudar tão rapidamente em direção à mobilidade elétrica?
Tem sido muito exigente e, ao mesmo tempo, profundamente gratificante. Liderar uma marca 100% elétrica num mercado em rápida transformação obriga-nos a antecipar tendências, adaptar com agilidade e manter convicções claras. Em Portugal, temos vindo a construir um crescimento consolidado, sustentado pelo trabalho da equipa, pela confiança dos parceiros e por uma receptividade crescente dos clientes. A nível pessoal, é especialmente motivador sentir que estamos a ajudar a acelerar uma mudança que terá impacto nas gerações futuras, incluindo a das minhas filhas.
Sente que o público português está hoje mais aberto a marcas elétricas “novas” ou ainda existe alguma resistência?
Existe hoje uma abertura muito maior. O consumidor português está mais informado, mais exigente e mais disponível para conhecer marcas com propostas diferentes, desde que ofereçam valor real, confiança e uma experiência consistente. Persistem algumas reservas relacionadas com autonomia, carregamento ou durabilidade das baterias, mas essas barreiras estão a diminuir. O crescimento consolidado da Polestar Portugal demonstra que há espaço para uma marca premium elétrica com identidade própria.
O que mais o surpreendeu positivamente — ou negativamente — desde que a Polestar chegou a Portugal?
Pela positiva, surpreendeu-me a rapidez com que muitos clientes compreenderam e valorizaram a identidade da Polestar. Há uma ligação muito imediata ao design, mas depois descobrem a performance, a tecnologia e a coerência da nossa visão de sustentabilidade. Pela negativa, destacaria alguma inconsistência regulatória, sobretudo a nível europeu, que pode gerar incerteza num setor que necessita de previsibilidade para investir e planear a longo prazo.
Quando alguém entra em contacto com a Polestar pela primeira vez, o que gostaria que sentisse de imediato?
Gostaria que sentisse três coisas: transparência, confiança e emoção. Que percebesse que está perante uma marca premium diferente, pensada ao detalhe e com uma identidade muito clara. O design pode ser o primeiro impacto, mas queremos que a experiência completa, da tecnologia à condução, do atendimento à sustentabilidade, confirme essa primeira impressão.
Entre design, performance e sustentabilidade, qual é o pilar que mais emociona os clientes portugueses?
O design é frequentemente o primeiro ponto de atração. É aquilo que faz alguém parar e querer saber mais. Depois, a performance e a experiência de condução criam uma ligação muito forte, enquanto a sustentabilidade dá profundidade à escolha. Na realidade, é o equilíbrio entre estes três pilares que diferencia a Polestar e transforma interesse em afinidade com a marca.
A ligação à Volvo faz parte do ADN da marca. Hoje, sente que isso transmite confiança ou que a Polestar já fala por si?
A ligação à Volvo foi e continua a ser relevante, sobretudo pela confiança e familiaridade que transmite a muitos clientes. Mas hoje a Polestar fala claramente por si, em particular em Portugal. Temos uma identidade própria, um design reconhecível, uma experiência distinta e uma visão muito clara sobre o futuro da mobilidade premium elétrica.
A Polestar abriu no último ano um espaço físico em Lisboa e outro em Faro. Que mais‑valias trouxe essas parcerias? Para quando o próximo espaço?
Estas parcerias trouxeram-nos escala, experiência e maior proximidade aos clientes. Em Lisboa, com a Santogal, e em Faro, com a Pontautos, trabalhamos com parceiros que conhecem profundamente o mercado nacional e partilham a ambição de proporcionar uma experiência diferenciadora. Para já, não temos novos espaços previstos. O foco está em consolidar a presença atual e continuar a elevar a qualidade da experiência.
A experiência Polestar é bastante diferente do modelo tradicional de concessionário. Como têm reagido os clientes portugueses?
De forma muito positiva. Os clientes valorizam uma experiência próxima e transparente, com uma componente digital forte, mas também com espaços físicos onde podem conhecer os automóveis e esclarecer dúvidas sem pressão. Procuram tempo, informação e liberdade de decisão. É precisamente esse equilíbrio entre conveniência digital e contacto humano que procuramos oferecer.
Que tipo de relação pretende a Polestar construir com os seus clientes, para lá da simples venda do automóvel?
Uma relação de longo prazo, baseada em confiança, proximidade, acompanhamento e partilha de valores. Queremos que os clientes sintam que pertencem ao universo Polestar e que têm orgulho nessa escolha. A venda do automóvel é um momento importante, mas é apenas o início da relação.
O pós‑venda é muitas vezes onde a relação com a marca se consolida. Como trabalha a Polestar essa confiança?
Com proximidade, transparência e consistência. O pós-venda é um pilar essencial da experiência e deve receber o mesmo cuidado que a fase de decisão e compra. É nos momentos em que o cliente mais precisa da marca que temos de demonstrar, de forma concreta, que a confiança depositada em nós foi bem colocada.
A Polestar tem um discurso muito claro sobre sustentabilidade. Nota envolvimento emocional dos clientes?
Sim, cada vez mais. Para muitos clientes, a sustentabilidade deixou de ser apenas um argumento racional e passou a ser também um fator emocional e identitário. As pessoas querem que as suas escolhas reflitam os seus valores. Na Polestar, esse compromisso não é uma camada de comunicação, mas uma parte central da estratégia, do desenvolvimento dos produtos e da forma como encaramos o futuro.
Projetos como o Polestar 0 são compreendidos e valorizados?
São cada vez mais compreendidos. Projetos desta natureza podem parecer ambiciosos, mas funcionam como uma bússola: obrigam-nos a questionar processos, procurar novas soluções e elevar o nível de exigência. Mostram que não estamos apenas a reagir ao presente, mas a procurar construir uma indústria mais responsável.
Acredita que a sustentabilidade pode ser inspiradora e desejável?
Absolutamente. A sustentabilidade não tem de ser sinónimo de sacrifício. Pode, e deve, ser desejável, inovadora e aspiracional. O verdadeiro desafio está em criar produtos que as pessoas queiram escolher pelo design, pela performance e pela experiência, sabendo que essa escolha também contribui para uma mudança positiva.
Há algum modelo com significado especial para Portugal?
Todos os modelos tiveram um papel importante. O Polestar 2 terá sempre um significado especial, porque foi o modelo com que iniciámos a nossa presença em Portugal. Mais recentemente, o Polestar 4 coupé tornou-se o nosso best-seller e um dos principais motores do crescimento consolidado da operação portuguesa. Agora entramos numa nova fase de expansão do portefólio: o novo Polestar 4 SUV já está a gerar um nível de interesse e de encomendas muito encorajador, e terá entregas ainda em 2026. Também o Polestar 5, o nosso GT de quatro portas e modelo de afirmação em design, tecnologia e performance, começará a ser entregue em Portugal ainda em 2026. Esta evolução torna a nossa oferta mais completa e permite-nos chegar a novos perfis de cliente.
O design escandinavo cria ligação emocional?
Sem dúvida. A simplicidade, a funcionalidade e a atenção ao detalhe criam uma linguagem emocional muito forte. É um design que não precisa de excessos para marcar presença: menos ruído, mais intenção e mais conteúdo.
O que faz alguém apaixonar‑se por um automóvel elétrico?
É a experiência como um todo. O silêncio, a resposta imediata, a fluidez da condução e a sensação de tecnologia bem integrada tornam a primeira experiência muito marcante. Depois há também a consciência de participar numa mudança positiva e os benefícios de utilização associados à mobilidade elétrica. Muitas vezes, basta conduzir para perceber que não se trata apenas de trocar de motorização, mas de evoluir a relação com o automóvel.
Ainda existem medos ou mitos por desconstruir?
Sim, sobretudo relacionados com autonomia, carregamento e durabilidade das baterias. A melhor forma de os desconstruir é com informação clara, transparência e experiência prática. Quando os clientes conhecem os produtos, percebem a autonomia real e experimentam o automóvel, muitas dessas dúvidas desaparecem naturalmente.
Como imagina a Polestar em Portugal daqui a cinco anos?
Imagino a Polestar como uma referência consolidada no segmento premium elétrico, com uma presença sólida, uma comunidade fiel e uma oferta mais ampla. O crescimento que temos vindo a construir dá-nos confiança, mas queremos fazê-lo com consistência e sem perder a identidade. A chegada do Polestar 5 e do Polestar 4 SUV, ambos com entregas ainda em 2026, será um passo importante nessa evolução e no reforço da relevância da marca em Portugal.
De que valor humano não abdica?
Integridade. É o valor que orienta a forma como procuro trabalhar, liderar e relacionar-me com as pessoas. Mesmo quando as decisões são difíceis, acredito que clareza, honestidade e respeito nunca podem ser negociáveis.
Um desejo. Uma ambição?
Continuar a liderar projetos com propósito, capazes de gerar resultados e, ao mesmo tempo, deixar um impacto positivo nas pessoas, no mercado e na sociedade. E fazê-lo sem perder a curiosidade, a proximidade e o entusiasmo que me trouxeram até aqui.
Um livro…
Open, a autobiografia de André Agassi, pela honestidade, pela qualidade literária e por me ter feito viajar no tempo do ténis da minha infância e adolescência enquanto me ajudava a recuperar de uma operação a uma lesão.
Uma música…
Everything Counts, Depeche Mode, ainda actual no sentido da crítica ao poder excessivo e sem controlo das grandes empresas, onde a ética é frequentemente relegada para segundo plano em favor do lucro
Tem alguma mensagem que queira partilhar?
O futuro constrói-se com visão, consistência e coragem, mas também com pessoas. Na Polestar Portugal, estamos a crescer de forma consolidada, a reforçar a nossa presença e a ampliar o portefólio com produtos que representam claramente aquilo em que acreditamos. Com o Polestar 5 e o Polestar 4 SUV a chegarem aos clientes ainda em 2026, damos mais um passo importante. Acreditamos que fazer diferente, com propósito e sem comprometer a nossa identidade, é o caminho para fazer melhor.
