A velocidade da transformação digital e a crescente adoção da IA estão a transformar empresas e a ampliar o impacto da tecnologia nos modelos de negócio e na rentabilidade das organizações. Neste contexto, as áreas de Tecnologias de Informação (TI) estão a evoluir de funções de suporte ao negócio, para assumir um papel determinante na competitividade das organizações. Ao mesmo tempo, os Chief Information Officers (CIOs) enfrentam uma responsabilidade crescente: garantir que os investimentos tecnológicos geram impacto real no negócio.
O estudo “CIO 2026 Outlook” da Experis, baseado nas respostas de 1.930 CIOs, CTOs, CISOs e outros líderes tecnológicos seniores de todo o mundo, analisa a evolução das prioridades, dos desafios e das responsabilidades associadas à liderança em Tecnologias de Informação, fornecendo uma visão detalhada sobre a forma estes profissionais estão a redefinir o seu papel, com foco na criação de valor.
O estudo revela que os CIOs assumem, cada vez mais, um papel central no crescimento do negócio, embora a execução continue a representar um desafio significativo. O ritmo acelerado da mudança tecnológica, a adoção da Inteligência Artificial (IA), os riscos de cibersegurança, a modernização de sistemas legacy e a escassez de talento estão a tornar mais difícil a transformação do potencial tecnológico em resultados mensuráveis.
“A tecnologia deixou de ser avaliada apenas pela sua capacidade de suportar operações. Hoje, o seu verdadeiro valor mede-se pelo impacto que gera no negócio. O desafio dos CIOs já não passa apenas por identificar oportunidades tecnológicas, mas por garantir que estas são implementadas à escala e traduzidas em resultados concretos para a organização, num contexto em que a gestão da mudança, a adoção pelos trabalhadores e a compreensão dos desafios por parte dos outros líderes se tornam cada vez mais decisivos para o êxito das iniciativas.”, afirma Nuno Ferro, Brand Leader da Experis.
Alinhamento das TI com a estratégia de negócio é a prioridade dos CIOs mas ritmo da mudança continua a ser a principal barreira a ultrapassar
A discrepância entre o potencial da tecnologia e a capacidade das organizações a implementarem tem vindo a aumentar desde 2025, o que torna a função dos profissionais de TI cada vez mais complexa e orientada para uma utilização eficaz das soluções tecnológicas. Assim, o estudo revela que quase metade dos líderes de TI (48%) consideram atualmente o alinhamento da estratégia tecnológica com os objetivos de negócio como a principal responsabilidade do CIO, face aos 34% registados em 2025.Esta prioridade ultrapassa mesmo a cibersegurança, que, embora tenha aumentado de 35% em 2025 para 37% em 2026, deixa de ser o principal foco, dados os riscos que os CIO percebem no desalinhamento entre os objetivos do negócio e a utilização prática da tecnologia.
Face a esta prioridade, o ritmo acelerado da evolução tecnológica mantém-se como a principal barreira à atuação dos CIOs a nível global, sendo referido por 44% dos líderes tecnológicos. Este é um desafio que se acentua face ao ano passado, com a percentagem de CIOs a mencionar esta dificuldade a crescer dez pontos percentuais. Neste âmbito, o estudo refere a necessidade de os líderes tecnológicos gerirem múltiplas prioridades em simultâneo, enfrentando uma pressão crescente para tomar decisões rápidas, responder a ameaças de cibersegurança em constante evolução e, simultaneamente, garantir que as suas organizações permanecem competitivas.
CIOs revelam desafios na adoção de tecnologia e dificuldades em ajudar a liderança a compreender a rápida evolução tecnológica
Apesar de ser uma prioridade para os CIOs, o alinhamento entre o negócio e a tecnologia continua longe de estar garantido. O estudo revela mesmo que a percentagem destes líderes que consideram que estratégia de negócio e estratégia tecnológica estão efetivamente alinhadas, diminuiu, passando de 80% em 2025 para 77% este ano.
Neste âmbito, barreiras como a necessidade de demonstrar o valor da tecnologia junto de stakeholders (26%) e gerir a resistência interna à mudança (25%) ajudam a perceber a escala do desafio para os líderes de IT. De facto, os CIOs consideram que a liderança das organizações não tem uma visão clara da missão das áreas de TI, não apresentando conhecimento suficiente sobre a função e as responsabilidades do CIO. Esta é uma realidade que se tem vindo a intensificar, sendo apontada por 61% dos líderes tecnológicos, face aos 49% registados em 2025.
Por outro lado, a adoção da tecnologia por parte dos trabalhadores também regrediu, com apenas 72% dos CIOs em 2026 a considerarem que existe uma adoção alta ou moderada pelos trabalhadores na sua organização, o que representa uma queda de 7 pontos percentuais face a 2025. Estes valores demonstram, assim, que a implementação tecnológica não garante, por si só, a adoção por parte dos trabalhadores e mostram que o verdadeiro desafio está nas fases de execução, não na tecnologia em si.
Torna-se, assim, fundamental garantir que a IA é eficaz no contexto real da empresa, considerando os seus fluxos de trabalho, equipas e modelos de governação e responsabilização. Investir na aprendizagem contínua – de forma a garantir que as pessoas conseguem compreender, utilizar e incorporar as novas tecnologias no trabalho -, promover uma cultura de agilidade e enfrentar, de forma proativa, desafios como a gestão dos legacy systems ou a cibersegurança são práticas decisivas. O papel das competências e da gestão da mudança ganha, também, particular relevância, com a tecnologia a exigir formação, comunicação, liderança e redesenho dos processos de trabalho, para assegurar uma adoção que acompanhe o ritmo da mudança.
Investimento em IA já gera ROI, mas CIOs mantêm abordagem pragmática
Em linha com as prioridades identificadas, 66% dos líderes do setor tecnológico referem que já estão na fase de implementação da IA nas suas organizações e mais de metade (54%) começam já a obter um retorno tangível do investimento realizado. Para além disso, 66% dos CIOs afirmam também pretender aumentar o investimento em IA este ano.
Apesar destes números, os líderes tecnológicos mantêm-se pragmáticos, com apenas 17% a classificar a implementação de soluções de IA como uma das suas principais responsabilidades. Este resultado não significa uma desvalorização da IA, já que 48% consideram mesmo que a integração destas novas tecnologias representa uma das maiores oportunidades de criação de valor em 2026. Sinaliza, antes, um acelerar nos processos de integração, com a IA a tornar-se parte de uma transformação empresarial mais ampla, em vez de ser encarada como um objetivo isolado.
Modernização tecnológica é vista como essencial para assegurar retorno do investimento em IA
De entre as tecnologias vistas pelos CIOs como proporcionando um maior retorno sobre o investimento, o estudo destaca o cloud computing e as infraestruturas digitais escaláveis, que são identificadas por 41% dos líderes, a automação e as soluções baseadas em IA, referidas por 34% e o Data Analytics e Business Intelligence, mencionadas por 29%.
Estes resultados reforçam uma prioridade clara para os CIOs: antes de escalar IA, as organizações necessitam de bases tecnológicas capazes de suportar a criação de valor, pelo que cloud, dados, integração de sistemas, segurança e competências continuam a ser essenciais para o êxito dos processos de transformação.
O estudo da Experis revela, assim, que os obstáculos à transformação não são exclusivamente tecnológicos, evidenciando um desafio que é também organizacional e humano. Os CIOs precisam de acompanhar a evolução tecnológica e de preparar a infraestrutura, , demonstrar o seu valor, mobilizar a organização e garantir as competências necessárias para executar uma implementação eficaz.
O estudo completo CIO 2026 Outlook da Experis está disponível para consulta aqui.
