Foi uma das perguntas que ficou comigo depois de ouvir Barack Obama no Game Changers 2026.
Falou-se de inteligência artificial, de tecnologia, de liderança e de um futuro que está a mudar mais depressa do que conseguimos acompanhar.
Mas houve uma parte da conversa que me tocou especialmente.
Quando Obama falou das profissões de cuidado, como a enfermagem e o ensino, e da forma como tantas vezes não lhes damos o reconhecimento que merecem.
Fez-me pensar.
Uma máquina pode ajudar a fazer um diagnóstico. Pode analisar milhares de dados em segundos. Mas será que consegue substituir a tranquilidade que sentimos quando alguém se senta ao nosso lado, nos olha nos olhos e nos diz que vai cuidar de nós?
E quantas vezes valorizamos mais quem produz números do que quem faz a diferença na vida de alguém?
Trabalho em Recursos Humanos e sei como é fácil deixarmo-nos absorver por indicadores, objetivos, avaliações e resultados.
Tudo isso é importante. Faz parte do nosso trabalho.
Mas as pessoas não são apenas números numa tabela. Têm histórias, preocupações, sonhos e vidas que continuam para além das portas das empresas.
Também me ficou a reflexão sobre as decisões difíceis. Aquelas em que não existe uma resposta perfeita e em que precisamos de escolher, não apenas com conhecimento, mas com consciência.
Porque liderar não é só saber o que fazer. É compreender o impacto daquilo que fazemos nos outros.
Saí daquela conversa a pensar que talvez o nosso maior desafio não seja acompanhar a velocidade da tecnologia.
Talvez seja não perdermos, pelo caminho, a capacidade de ouvir, de cuidar, de respeitar e de estar presentes.
E deixo-vos uma pergunta:
De que serve construirmos um mundo cada vez mais inteligente, se nos esquecermos de o tornar mais humano?
Por: Sandra Piedade
Créditos Imagens: Nuno Ramos | Game Changers
