Já são conhecidos os vencedores dos Prémios de Empreendedorismo de 2026, uma iniciativa organizada pela Unicorn Factory Lisboa que distingue fundadores, empresas e líderes que têm impulsionado a inovação e o crescimento económico, tanto em Portugal como a nível internacional, e que se tem consolidado como um dos principais momentos de celebração do ecossistema empreendedor português.
Vasco Lopes, cofundador e CEO da DeepNeuronic, foi reconhecido com o Prémio Empreendedor do Ano, criado em memória de João Vasconcelos, que distingue o empreendedor que mais se destacou ao longo do último ano pelas suas capacidades de liderança e pelo desempenho das suas soluções tecnológicas. A Deepneuronic, startup de tecnologia nascida em 2021 e focada em detetar atividades perigosas em tempo real através de Machine Learning, foi adquirida recentemente pela multinacional Motorola Solutions. Com esta operação, a empresa tem como objetivo expandir-se globalmente.
Para Vasco Lopes, “receber o prémio Empreendedor do Ano é um reconhecimento muito especial de um percurso que começou há cinco anos, em Covilhã, com uma ambição clara: transformar investigação em Inteligência Artificial e Visão Computacional em soluções com impacto real no mundo. Em conjunto com o Bruno Degardin e uma equipa extraordinária, construímos a DeepNeuronic a partir do interior de Portugal, desafiando a ideia de que é necessário estar nos grandes centros para criar tecnologia de classe mundial. Este percurso culminou na aquisição da empresa, em agosto de 2026, e representa muito mais do que o crescimento de uma startup: demonstra o que é possível alcançar quando a ambição global se alia ao talento, à persistência e à capacidade de aprender com os desafios em colaboração com comunidades incríveis como a Unicorn Factory Lisboa”.
Já Ricardo Marvão, cofundador da Beta-i, consultora de inovação colaborativa, e impulsionador de iniciativas de inovação para jovens, foi distinguido com o Prémio Ecossistema, em parceria com o Banco Português do Fomento, que reconhece personalidades ou entidades com um contributo excecional para a promoção do empreendedorismo e da inovação no país ao longo dos anos.
Nas restantes categorias, foram atribuídos os seguintes prémios:
- Prémio Personalidade Feminina Emergente (apoiado pelo Grupo Brisa e pela Universidade Católica): Rita Barbosa, cofundadora e diretora executiva da Guardian Labs EU, que desenvolve soluções de inteligência artificial destinadas a prevenir fraudes digitais, através do fornecimento de informação em tempo real a diversas entidades para identificar e combater campanhas de burla. Como reconhecimento ao seu impacto positivo no fortalecimento da liderança feminina na inovação, foi premiada com uma bolsa de 5 mil euros para participar num curso executivo na Universidade Católica Portuguesa.
- Prémio Personalidade Internacional (em parceria com a Cuatrecasas): Fernando Nahat Jardim, presidente da 351 Associação Portuguesa de Startups, que se destacou pela sua contribuição para o crescimento da inovação em Portugal ao longo dos últimos anos com múltiplos projetos de comunicade.
- Prémio Startup de Impacto (com o apoio da Casa Impacto): knokcare, plataforma de gestão integrada de telemedicina que combina triagem com inteligência artificial, agendamento, vídeo-consulta e consulta telefónica, registo clínico e prescrição eletrónica, tendo sido distinguida com um prémio de 2500 euros, atribuído pela Casa Impacto. Após este ano ter passado a assumir a gestão dos serviços da Unidade de Saúde de S. Pedro da Caldeira, em Setúbal, a empresa pretende passar a gerir mais duas unidades de saúde, bem como expandir-se pela Europa e para os Estados Unidos da América.
- Prémio Startup Jovem (que teve a NTT DATA enquanto parceira): RT BeamTech como a melhor startup fundada por alunos universitários. Empresa dedicada ao desenvolvimento de instrumentos de monitorização de feixes de radiação de elevada precisão, essenciais para viabilizar a aplicação clínica na radioterapia, e tem como objetivo angariar 300 mil euros em investimento para escalar a sua solução a nível nacional e para outros mercados. A startup foi premiada com bilhetes para a Web Summit Lisboa e terá a oportunidade de apresentar a sua solução no stand da Unicorn Factory Lisboa a uma rede de investidores internacionais.
- Prémio Startup Mais Promissora (em colaboração com Citigroup): Bloodflow, empresa que desenvolve soluções de inteligência clínica baseadas em IA, que se integram facilmente nos sistemas de unidades hospitalares, de modo a transformar dados clínicos em informação capaz de ser utilizada para apoiar decisões médicas. A startup terá a oportunidade de marcar presença no Slush, na Finlândia, uma das maiores feiras tecnológicas internacionais, onde irá apresentar a sua solução a um vasto conjunto de investidores e empreendedores. A Bloodflow tem como objetivo fechar uma ronda de investimento de 12 milhões de euros até ao final do ano, de forma a expandir a sua solução para mercados estratégicos.
“Os Entrepreneurship Awards voltaram a reconhecer o talento, a ambição e a capacidade de execução de quem está a transformar ideias em soluções com impacto real. Queremos dar destaque ao papel fundamental que os empreendedores e as startups têm na criação de emprego qualificado, retenção de talento jovem, a atração de investimento e a projeção de Portugal além-fronteiras. Num mundo em transformação com a inteligência artificial, é essencial promover projetos inovadores e dar-lhes condições para que possam crescer e competir à escala global”, sublinha ainda Gil Azevedo, diretor executivo da Unicorn Factory Lisboa.
O evento decorreu no Técnico Innovation Center, localizado no Saldanha Innovation District, e contou ainda com a Câmara Municipal de Lisboa, o Instituto Superior Técnico e a Web Summit como parceiros institucionais, e a Delta Cafés, a Sogrape e a Super Bock Group enquanto parceiros de suporte.
Entre 2023 e 2026, a Unicorn Factory Lisboa apoiou mais de 900 startups, das quais mais de metade têm fundadores internacionais e já realizou ações de formação junto de mais de 2000 jovens. Desde a sua criação, Lisboa atraiu mais de 120 empresas tecnológicas internacionais que abriram escritórios na cidade, incluindo 18 unicórnios internacionais, que foram responsáveis pela criação de mais de 18 mil postos de trabalho.
