Durante este período, estas infraestruturas sustentaram mais de 2.100 postos de trabalho. Estado investiu 115M€, com 92,2 M€ de receita fiscal
A Porto Business School (PBS) apresentou esta quinta-feira o primeiro “Estudo de impacto socioeconómico dos Laboratórios Colaborativos (CoLABs)” em Portugal, que conclui que, entre 2021 e 2025, estas estruturas geraram 261,6 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB) e sustentaram 2.178 postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos no país.
Promovido pelo Fórum dos Laboratórios Colaborativos (FCoLAB), em parceria com a PBS, o estudo demonstra ainda que, “entre 2021 e 2025, cada euro de financiamento público atribuído aos CoLABs esteve associado a 2,27 euros de VAB na economia. No mesmo período, o Governo investiu 115 milhões de euros nos laboratórios colaborativos, tendo gerado uma receita pública de 92,8 milhões de euros, o equivalente a cerca de 81% do financiamento público recebido”, segundo Filipe Grilo, docente da Porto Business School e responsável pelo estudo.
Entre os principais indicadores analisados, só em 2025, os CoLABs geraram 74,7 milhões de euros de VAB, 26,5 milhões de euros em receitas fiscais, mais de 300 milhões de euros mobilizados em inovação colaborativa no âmbito do PRR e mais de 28 milhões de euros captados em projeto Horizon Europe.
Os resultados reforçam o papel dos laboratórios colaborativos enquanto infraestrutura estratégica de inovação, transferência de conhecimento e desenvolvimento económico, num momento em que se discute o futuro do financiamento destas entidades. Atualmente, existem 41 laboratórios colaborativos em Portugal.
Criados para aproximar a ciência, empresas e sociedade, os CoLABs têm vindo a afirmar-se como instrumentos fundamentais para transformar investigação em soluções aplicadas com impacto no mercado, contribuindo para aumentar a competitividade nacional, reduzir risco tecnológico e acelerar processos de inovação em setores estratégicos da economia.
Laboratórios colaborativos não competem diretamente com empresas
De acordo com o estudo, os CoLABs não competem diretamente com as empresas; atuam sobretudo em contextos onde existem falhas de mercado, ausência de capacidade tecnológica instalada ou elevados níveis de incerteza técnica, desempenhando um papel decisivo na criação de novas capacidades económicas e científicas em Portugal.
Para André Matos, porta-voz do FCoLAB, “este estudo confirma que os CoLABs deixaram de ser uma experiência-piloto para se afirmarem como uma infraestrutura crítica para a economia do conhecimento em Portugal. Hoje, os CoLABs geram impacto económico mensurável, mobilizam investimento, criam emprego qualificado, com elevado número de doutorados, e ajudam empresas e setores inteiros a inovar”.
O responsável acrescenta ainda que “a continuidade dos CoLABs deve ser entendida como uma decisão estratégica para o futuro do país. Estamos perante estruturas que encurtam a distância entre a ciência e mercado, aceleram a valorização de tecnologia e criam condições para que as empresas, territórios e administração pública inovem com menor risco e maior capacidade”.
O estudo sublinha ainda que a diversidade funcional dos CoLABs constitui uma das principais forças do modelo. Longe de representar fragmentação, essa heterogeneidade permite responder a desafios distintos do sistema nacional de inovação, desde a indústria e saúde à agricultura, sustentabilidade, digitalização ou economia do mar.
A análise da PBS conclui igualmente que os CoLABs devem ser avaliados através de métricas próprias, compatíveis com a natureza híbrida e missão de interface entre ciência, tecnologia, empresas e sociedade. O impacto destas estruturas ultrapassa os indicadores económicos diretos, incluindo também efeitos sistémicos como a promoção da coesão territorial, fixação de talento, criação de capacidade instalada, redução de risco tecnológico, articulação entre atores e abertura de novas trajetórias de desenvolvimento económico.
Estudo disponível aqui.
