Multinacional de gestão de talento colocou mais de 2.000 profissionais nesta área, entre janeiro e março deste ano
A indústria transformadora está a viver um período de reestruturação profundo. De acordo com os dados mais recentes da Eurofirms – People first, o setor registou um crescimento no primeiro trimestre deste ano, com um aumento superior a 30% nas contratações face ao período homólogo. A multinacional de gestão de talento colocou, entre janeiro e março, mais de 2.000 profissionais no setor, que representa um peso crescente na sua atividade em Portugal.
Da mão de obra massificada ao talento especializado
Mais do que um crescimento quantitativo, os dados e experiência da Eurofirms revelam uma mudança de paradigma no perfil do empregador industrial, à qual a empresa tem vindo a adaptar-se. “O setor está mais sofisticado e tecnológico, no seguimento da integração cada vez mais acelerada de automação e de inteligência artificial (IA), associada a um aumento visível na produtividade”, revela Filipe Ramos, National Leader Outsourcing da Eurofirms. O especialista sublinha que “assistimos a uma inversão na lógica da procura. Se em tempos o foco era a mão de obra a baixo custo, atualmente as empresas privilegiam a eficiência e conhecimento. Querem, por isso, perfis mais especializados, independentemente dos custos associados”.
Setor sofre com o gap entre a “academia e o chão de fábrica”
Apesar do dinamismo identificado pela Eurofirms no primeiro trimestre do ano, a multinacional de gestão de talento alerta para a complexidade acrescida na captação de perfis. “Existe uma necessidade urgente de maior alinhamento entre o ensino e as necessidades reais das fábricas”, avança ainda Filipe Ramos. Vasco Almeida, Regional Leader Norte da Eurofirms, com forte intervenção no setor da indústria, partilha da mesma visão. «O que verificamos é que a academia tende a formar quadros superiores. Mas a realidade atual do mercado de trabalho diz-nos que a indústria carece de quadros intermédios, que estejam verdadeiramente preparados para a realidade operacional”. O responsável da Eurofirms sublinha que “a formação continua a ser excessivamente teórica, contribuindo para lacunas em soft skills e na adaptação ao trabalho por indicadores, turnos e à cultura de ‘chão de fábrica’”.
Talento jovem começa a impulsionar a indústria de Norte a Sul do país
É maioritariamente jovem o talento que a Eurofirms está a colocar na indústria: 37% dos candidatos têm idades entre os 20 e 30 anos. Em termos de género, o setor continua a ser predominantemente masculino (63%). Porto, Leiria, Alverca, Mealhada e Vila Franca de Xira lideram as colocações da Eurofirms na atividade industrial no país, com procura intensa por funções que, embora tradicionais no nome, exigem hoje maior capacidade de adaptação tecnológica: operadores de máquinas, operadores de cerâmica, operador e auxiliar de armazém.
