Espetáculo estará em cena, no Teatro Municipal de Vila Real, a 25 e 26 de maio. Em junho, poderá ser visto no Auditório Municipal de Sabrosa
“Qual é a idade do cacifo?”. Esta é apenas uma das questões às quais a Peripécia Teatro vai procurar responder, nos dias 25 e 26 de maio, com a estreia da sua mais recente criação, que se inspira nos desafios atuais da adolescência. Em cena no Teatro Municipal de Vila Real, “A Idade do Cacifo” é um espetáculo para jovens e adultos – especialmente aqueles que convivem de perto com adolescentes –, que pretende questionar, com humor e alguma crueldade, o sistema onde os adolescentes estão inseridos, e incitar o público a ver, com os seus olhos, o mundo atual.
Entender a adolescência sem desdém
“Os jovens de hoje não têm controlo e estão sempre de mau humor. Perderam o respeito aos mais velhos, não sabem o que é a educação e não têm moral nenhuma”. Esta frase poderia ter sido dita hoje, por qualquer adulto. Contudo, a sua autoria é do filósofo grego Aristóteles, sublinhando que o gap geracional não é um conceito “de agora” e que a sociedade trata, há mais de dois mil anos, a adolescência com desdém. Por outro lado, a ciência valoriza esta fase de extrema importância, procurando aportar maior entendimento entre as gerações. David Bueno, especialista em Genética e Neurociência, sublinha mesmo que esta etapa é “crucial, não só para a vida adulta como também para o progresso da humanidade!”.
Estará a sociedade consciente dos desafios atuais dos mais jovens, sendo capaz de entender as suas angústias? Está o ambiente escolar adaptado e devidamente preparado para responder às necessidades dos adolescentes, motivando-os e protegendo-os? Munidos destas dúvidas, Sérgio Agostinho e Noelia Dominguez – diretores artísticos da Peripécia Teatro –, Élio Ferreira, Filipe Moreira e José Carlos Garcia (também responsável pela dramaturgia e encenação do espetáculo) criaram “A Idade do Cacifo”, deixando para trás ideias pré-concebidas sobre a adolescência.
Processo de criação contou com colaboração de adolescentes
Para “abrir os cacifos da adolescência”, a Peripécia Teatro contou com o apoio da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em Vila Real. A Companhia desenvolveu um trabalho de proximidade com alguns alunos da instituição de ensino, com o intuito de identificar as suas verdadeiras angústias, compreender como se relacionam, como percecionam os adultos e o que pensam do sistema de ensino.
A visita a aulas, o desenvolvimento de momentos performativos e o lançamento de desafios aos alunos foram algumas das atividades promovidas pela Peripécia Teatro com os alunos, que “foram importantes para encarar o processo de criação”, como afirma Sérgio Agostinho, diretor artístico da companhia. O responsável da Companhia sublinha ainda que, entre as muitas conclusões que foram retiradas desde trabalho, “uma que foi reveladora diz respeito à carga horária que os alunos têm. É-lhes exigido muito e isso também está implícito no espetáculo. O sistema será questionado”.
Mas não será apenas o sistema de ensino atual que será explorado em “A idade do Cacifo”. Em palco, “respondem também à chamada” temas como a depressão na adolescência, as dúvidas sobre a sexualidade, o respeito pela diferença ou o bullying. O mundo dos adultos e o seu papel preponderante para a gestão das emoções será também alvo de reflexão.
“A Idade do Cacifo” pode ser visto nos dias 25 e 26 de maio, no Teatro Municipal de Vila Real, havendo récitas às 15h00 (sessão para as escolas, mas abertas ao restante público) e às 21h30. Os bilhetes, que têm um custo de cinco euros, podem ser adquiridos na bilheteira física do Teatro Municipal de Vila Real, ou através do endereço bilheteira@teatrodevilareal.com. Em junho, no dia 2, o espetáculo será apresentado no Auditório Municipal de Sabrosa, com récitas às 15h00 e às 21h00. Por fim, a criação da Peripécia Teatro chegará ao espaço da Companhia – no Centro Cultural e Recreativo de Benagouro –, integrando o programa do “Lua Cheia, Arte na Aldeia”, nos dias 30 de junho e 1 de julho (às 21h00) e no dia 2 de julho (às 17h00).
