Noites mal dormidas apresentam consequências na aprendizagem, níveis de atenção e humor. Saúde mental dos pais também fica comprometida
“Dormir bem para viver melhor” é o mote deste ano para o Dia Mundial do Sono. Em Portugal, os dados mais recentes sobre sono infantil revelam uma realidade preocupante: cerca de 30% das crianças enfrentam dificuldades no sono, estimando-se que 40% apresentem distúrbios associados a hábitos consolidados precocemente. Especialista em sono e coordenadora da Pós-graduação em Sono da Criança, Adolescente e Família, Joana Marques alerta que o sono das crianças e jovens está a ser negligenciado, transformando-se, cada vez mais, num desafio de saúde pública.
“O sono infantil não é um detalhe de rotina, é sim um pilar essencial para o desenvolvimento neurocognitivo e emocional das crianças”, afirma Joana Mendes Marques, sublinhando que “noites mal dormidas têm consequências diretas na capacidade de aprendizagem, na memória e níveis de atenção dos mais pequenos, podendo inclusive potenciar o desenvolvimento de doenças como obesidade, diabetes ou alterações de comportamento”. A especialista alerta ainda para os efeitos que a privação de sono tem nos pais, afetando significativamente a sua saúde mental e qualidade de vida, limitando ainda a capacidade de resposta ao stress.
Criar rotinas e promover a higiene do sono
Promover bons hábitos de sono desde cedo é essencial para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo das crianças. Muitas dificuldades na hora de deitar, como resistência em ir para a cama ou despertares noturnos frequentes, estão relacionadas com rotinas inconsistentes e com hábitos que podem ser modificados no dia-a-dia. A evidência científica mostra que intervenções comportamentais simples e rotinas previsíveis são das estratégias mais eficazes para melhorar o sono infantil.
Uma das estratégias mais importantes é ensinar a criança a adormecer de forma autónoma. Colocar a criança na cama quando está sonolenta, mas ainda acordada, ajuda-a a desenvolver a capacidade de voltar a adormecer autonomamente após os despertares noturnos. Outra medida eficaz é criar uma rotina curta e previsível antes de dormir, com atividades tranquilas repetidas todas as noites, como tomar banho, vestir o pijama, escovar os dentes e ouvir uma história.
Também é importante evitar negociações prolongadas na hora de deitar, definindo regras claras e consistentes. Quando a criança acorda durante a noite, os pais devem responder de forma calma e breve, evitando luzes fortes ou brincadeiras que possam estimular a vigília. Por fim, o ambiente do quarto deve ser confortável, escuro e silencioso, e recomenda-se retirar dispositivos eletrónicos do quarto, uma vez que estes estão associados a menor duração e pior qualidade do sono.
ESSATLA promove workshop para incentivar literacia do sono
Para abordar estes e outros tópicos de forma mais aprofundada, Joana Mendes Marques vai orientar o workshop online “Crescer a Dormir: o ABC para noites longas e tranquilas”, uma iniciativa dedicada à promoção de literacia em sono infantil. A sessão irá realizar-se no dia 14 de março, entre as 10h00 e as 13h00. O momento, que é dirigido a pais, professores, educadores, profissionais de saúde e a todos os interessados na área, vai explorar temas essenciais como a criação de rotinas de sono, a organização das sestas, os principais desafios no momento de adormecer, bem como as causas mais frequentes dos despertares noturnos na infância.
