A massificação das tecnologias de IA (Inteligência Artificial), a adesão a ecossistemas e arquiteturas descentralizadas e a expansão do metaverso são algumas das tendências que deverão impactar as empresas portuguesas nos próximos anos e que vão ajudar a agilizar as suas operações. Por outro lado, e seguindo a tendência mundial, a falta de mão de obra qualificada continuará a ser um desafio para as organizações em processo de transformação digital, pelo que deverá haver um esforço na formação e captação de talento.
Estas são as principais conclusões da 14.ª edição do estudo Tech Trends da Deloitte, que analisa as principais evoluções tecnológicas e identifica as tendências que irão ter maior impacto nas organizações. Este ano, a confiança assume-se como o elemento central em todas as tendências, com as organizações a reconhecerem gradualmente que os resultados dos negócios estão menos dependentes da capacidade tecnológica, que é já uma realidade, e mais pelo conforto e confiança na adoção e no impacto futuro.
Bruno Silva Batista, partner da Deloitte, refere que “as tendências apresentadas no Tech Trends mostram que as organizações devem testar novas abordagens e utilizar a tecnologia de base para transformar e, acima de tudo, melhorar os modelos de negócios já existentes. Se por um lado as ferramentas e tecnologias que as empresas utilizam atualmente não devem ser totalmente postas de parte, deve existir um esforço para integrar as tecnologias emergentes, com o objetivo de melhorar os ganhos operacionais.”
A edição anual do Tech Trends identifica seis macro forças tecnológicas que, juntas, fornecem uma estrutura para a evolução contínua em direção a três estratégias: simplicidade, inteligência e abundância. Essas tendências revelam novas tecnologias e abordagens para oportunidades em áreas que valorizam a interação, informação e computação. Essas tecnologias estão a moldar os negócios e a criar novas oportunidades para a transformação digital.
De acordo com Gonçalo Santos, partner da Deloitte, “a adoção dessas tecnologias é crucial para que as empresas permaneçam competitivas e se adaptem ao mercado em constante evolução. Aquelas que não acompanharem e incorporarem essas tendências, correm o risco de ficarem para trás.”
Estas são as seis tendências que o estudo considera que irão impactar os negócios das organizações:
- Internet imersiva para as empresas: Interfaces virtuais mudarão para além dos ecrãs para uma internet imersiva que se manifestará de três maneiras: realidade estendida, incluindo uma experiência no metaverso voltada para o consumidor; simulação empresarial, usando gêmeos digitais dos nossos ativos físicos para prototipar e experimentar; e uma maior experiência da força de trabalho – em recrutamento, produtividade, aprendizagem e muito mais. Com a capacidade de estender o mundo digital no espaço físico, as empresas inovadoras estão a explorar a promessa de uma internet imersiva para construir modelos de negócios lucrativos em torno dos recursos exclusivos oferecidos pela “realidade ilimitada”.
- Abrindo caminho para as novas tecnologias de IA (Inteligência Artificial): Num momento em que as ferramentas de IA crescem exponencialmente, as organizações estão a descobrir as inúmeras vantagens desta tecnologia quando devidamente utilizada. Para gerar um nível cada vez mais elevado de confiança, os algoritmos de IA devem ser visíveis, auditáveis e explicáveis, e os profissionais das organizações devem estar diretamente envolvidos no desenho e impacto destas ferramentas para o negócio.
- Acima das nuvens: como dominar o multicloud: 10 anos de implementações multicloud criaram uma complexidade considerável na gestão da cloud. Atualmente as empresas estão a tentar simplificar o processo através de uma camada de abstração e automação (chamada metacloud ou supercloud). Com estes serviços cross-cloud a permitirem gerir operações, governação e segurança, as organizações podem aproveitar ao máximo a versatilidade, elasticidade, flexibilidade e escalabilidade da Cloud.
- Flexibilidade, o melhor aliado: reinventar a força de trabalho na área da tecnologia: a inovação tecnológica está no centro da estratégia de negócio das organizações. Para fazer face à atual escassez de talento, onde cada vez se sentem mais dificuldades na contratação de profissionais especializados, as organizações estão a definir estratégias de longo prazo para criar, promover e cultivar talento em tecnologia nas organizações. Ao permitir que os profissionais explorem diferentes modelos flexíveis as organizações estão a oferecer uma experiência de trabalho diferenciada com naturais vantagens para o negócio.
- Arquiteturas e ecossistemas descentralizados: Mesmo com a volatilidade do mercado em torno das criptomoedas, o potencial do blockchain e dos ativos digitais aplicado aos negócios continua a aumentar. Numa altura em que a desinformação e as fake news proliferam, a nova abordagem para validar dados e transações com base em blockchain poderá ser a solução para promover uma maior confiança. À medida que os ecossistemas alimentados por mecanismos de blockchain evoluem para a Web3, tornam-se essenciais para a criação e monetização de ativos digitais.
- Conectar e expandir: modernização dos mainframes: Mais do que substituir soluções mainframe, as organizações estão a procurar expandi-las, integrando-as a tecnologias emergentes. Atualmente, face aos custos e riscos inerentes a uma transformação de soluções core, algumas organizações estão a explorar potenciar soluções de mainframe e integrá-las com tecnologias modernas com base em conectores inovadores baseados em micro-serviços alavancados em IA, bem como interfaces de utilizador inovadores que fornecem novos oportunidades usando mecanismos de Cloud, machine learning e IA.
Consulte aqui a 14.ª edição do estudo Tech Trends da Deloitte.
