A terceira geração do Mazda CX-5 chega com uma enorme responsabilidade: suceder a um dos maiores sucessos da história da Mazda. Testámos o 2.5 e-Skyactiv G de 141 cv, com caixa automática de seis velocidades, tração dianteira e equipamento Homura.
Há automóveis que são importantes para uma marca.
E depois há aqueles que praticamente definem uma marca.
O Mazda CX-5 pertence claramente à segunda categoria.
Quando surgiu, em 2012, o mundo dos SUV era bastante diferente daquele que conhecemos hoje. Ainda não existiam tantos modelos, tantas motorizações eletrificadas, tantas propostas de todos os tamanhos e feitios. A Mazda decidiu entrar neste segmento com uma receita muito própria: juntar o design Kodo, a tecnologia Skyactiv e, sobretudo, aquela preocupação quase obsessiva da marca japonesa em fazer automóveis que não fossem apenas meios de transporte.
O resultado foi melhor do que provavelmente muitos esperavam.
O CX-5 tornou-se um fenómeno comercial.
Mais de uma década depois, a Mazda já produziu mais de cinco milhões de unidades do CX-5. Cinco milhões.
É um daqueles números que nos obriga a parar durante alguns segundos.
Porque cinco milhões de automóveis significam cinco milhões de histórias. Famílias, viagens, férias, deslocações diárias, estradas desconhecidas, fins de semana e tantos outros momentos que aconteceram dentro de um CX-5.
Agora, a terceira geração tem a difícil missão de continuar essa história.
E foi precisamente ao volante de um 2026 Mazda CX-5 2.5 e-Skyactiv G 141 cv 6AT FWD Homura PANO TLOP, na elegante cor Machine Grey, que fui perceber se a Mazda conseguiu manter aquilo que tornou este SUV tão especial.
Um CX-5 que não quis esquecer o passado
A primeira coisa que me chamou a atenção foi precisamente aquilo que não mudou.
Olho para o novo CX-5 e reconheço imediatamente um Mazda.
Num mercado onde cada nova geração parece querer ser completamente diferente da anterior, a Mazda optou por uma evolução. As proporções continuam familiares, a linguagem Kodo permanece presente e existe uma sensação de maturidade que se percebe logo à primeira vista.
É maior, mais sofisticado e mais moderno.
Mas continua a ser um CX-5.
E acho que isso é importante.
A Mazda tinha um problema difícil para resolver: como substituir um modelo que vende milhões de unidades sem afastar precisamente as pessoas que fizeram dele um sucesso?
A resposta parece ter sido simples.
Não destruir aquilo que funciona.
Melhorá-lo.
Machine Grey: discreto, mas com presença
A unidade que conduzi apresentava-se num Machine Grey que, na minha opinião, assenta particularmente bem nas novas formas do CX-5.
Não é uma cor que procure protagonismo.
E talvez seja precisamente por isso que funciona.
À luz do dia, as superfícies da carroçaria ganham diferentes tonalidades e ajudam a destacar as linhas do design. O CX-5 não precisa de recorrer a cores extravagantes ou soluções exageradas para marcar presença.
É elegante.
É discreto.
Mas quando passamos por ele, percebemos que há ali qualquer coisa.
A versão Homura acrescenta ainda aquele toque mais sofisticado e desportivo que combina bem com a personalidade do modelo.
E, neste caso, temos ainda o Pack Design Aventura, que lhe confere uma presença mais robusta e aventureira.
Não transforma o CX-5 num todo-o-terreno.
Nem é suposto.
Mas dá-lhe uma personalidade diferente.
2.5 e-Skyactiv G: uma receita que sabe a Mazda
É debaixo do capot que encontramos outra das características que tornam este CX-5 particularmente interessante.
Um motor 2.5 litros e-Skyactiv G, a gasolina, com 141 cv, associado a uma caixa automática de seis velocidades e tração dianteira.
Hoje, num mercado onde encontramos SUV compactos com potências cada vez mais elevadas, o número pode não impressionar à primeira vista.
Mas conduzir um Mazda nunca foi apenas uma questão de números.
E é aqui que este motor começa a fazer sentido.
A entrega de potência é progressiva e natural. Não temos aquela sensação de que estamos constantemente à espera de uma explosão de binário para o automóvel começar a responder.
Tudo acontece de forma mais linear.
Mais previsível.
Mais suave.
A caixa automática de seis velocidades acompanha bem essa filosofia e contribui para uma condução tranquila no dia a dia.
Não estamos perante um CX-5 que queira ser um SUV desportivo.
E ainda bem.
Porque o seu verdadeiro objetivo é outro: proporcionar uma condução confortável, segura e agradável, mantendo aquela ligação entre o condutor e o automóvel que continua a ser uma das características que mais aprecio nos Mazda.
E depois há os consumos
Confesso que foi uma das surpresas positivas deste ensaio.
Durante os quilómetros que fiz com o CX-5, os consumos oscilaram entre os 6,5 e os 6,9 l/100 km.
Claro que se o pé pesar mais, os consumos sobem.
Para um SUV desta dimensão, equipado com um motor 2.5 litros a gasolina e uma caixa automática convencional, considero um resultado bastante interessante.
Claro que o consumo real depende sempre do percurso, trânsito, temperatura, ritmo de condução e utilização do ar condicionado.
Mas estes foram os valores que consegui obter durante o meu período ao volante.
E quando conseguimos juntar um motor de cilindrada generosa, uma condução confortável e consumos nesta ordem de grandeza, começamos a perceber que a receita da Mazda continua a ter argumentos.
Por dentro, outra realidade
É quando abrimos a porta que percebemos melhor a evolução.
O interior beje com detalhes em preto, com bancos em pele beje, transmite uma sensação de qualidade e sobriedade.
Não é um habitáculo que queira impressionar através de efeitos visuais.
É mais japonês do que isso.
Os materiais, a organização dos comandos e a forma como tudo está disposto transmitem uma sensação de cuidado.
É um daqueles interiores onde rapidamente nos sentimos em casa.
E isso, para mim, vale muito.
Gosto de entrar num automóvel e não precisar de meia hora para perceber onde está cada função.
Gosto de ter os comandos onde espero encontrá-los.
Gosto de conduzir.
E o CX-5 continua a colocar o condutor numa posição privilegiada.
O equipamento Homura PANO TLOP acrescenta ainda uma série de elementos que elevam a experiência a bordo e fazem deste CX-5 um automóvel bastante completo para utilização diária.
Um SUV para viver
Há uma característica do CX-5 que me parece particularmente importante.
É um carro fácil de integrar na nossa vida.
Pode levar-nos para o trabalho durante a semana.
Pode levar a família ao fim de semana.
Pode enfrentar uma viagem longa sem transformar as horas ao volante numa prova de resistência.
E pode, simplesmente, proporcionar-nos aquele prazer de pegar no carro e ir dar uma volta sem destino definido.
Esta última parte interessa-me particularmente.
Porque é aqui que entra a filosofia Mazda.
Um automóvel pode ser extremamente prático e, ao mesmo tempo, ter personalidade.
O CX-5 consegue fazê-lo.
Ao volante
Foi provavelmente aqui que me senti mais confortável com este CX-5.
A direção é precisa, a posição de condução é natural e o conjunto transmite uma sensação de equilíbrio.
Não temos um SUV que parece estar permanentemente a lutar contra o seu próprio peso.
Temos um automóvel previsível.
E eu gosto disso.
Gosto de saber o que o carro vai fazer quando entro numa curva.
Gosto de sentir que posso corrigir a trajetória sem que o automóvel tenha reações estranhas.
Gosto daquela sensação de confiança que aparece depois dos primeiros quilómetros, quando deixamos de pensar no carro e começamos simplesmente a conduzi-lo.
É aí que o CX-5 ganha pontos.
Não é necessariamente o mais rápido.
Não é necessariamente o mais tecnológico.
Não é certamente o mais exuberante.
Mas é um daqueles automóveis que nos faz sentir bem ao volante.
E isso não aparece numa folha de especificações.
Cinco milhões depois
Enquanto conduzia, dei por mim a pensar várias vezes naquele número.
Cinco milhões.
É impossível não olhar para este novo CX-5 de uma maneira diferente quando sabemos o peso que o seu antecessor teve na história recente da Mazda.
Este não é apenas mais um lançamento.
É a continuação de um dos maiores sucessos da marca.
E talvez seja por isso que a Mazda tenha escolhido uma evolução em vez de uma revolução.
O novo CX-5 não tenta apagar o passado.
Pelo contrário.
Parece querer dizer-nos:
“Tudo aquilo que gostavas no CX-5 continua aqui. Agora, melhor.”
E depois de alguns dias ao volante, percebo a lógica.
A minha opinião
Gostei deste CX-5.
Gostei porque continua a ser diferente sem tentar sê-lo à força.
Gostei porque a Mazda não entrou na corrida dos números apenas para poder dizer que tem mais potência, mais ecrãs ou mais tecnologia do que o concorrente do lado.
Gostei porque continua a existir uma preocupação com aquilo que realmente acontece quando estamos sentados no banco do condutor.
E gostei, sobretudo, porque este é um automóvel que não nos obriga a escolher entre racionalidade e emoção.
Tem espaço.
Tem conforto.
Tem equipamento.
Tem uma imagem forte.
Tem um motor de 2.5 litros que funciona de forma suave e progressiva.
E, no meu caso, conseguiu ainda apresentar consumos entre os 6,5 e os 6,9 l/100 km.
Depois de cinco milhões de unidades, o CX-5 poderia perfeitamente ter perdido alguma da sua identidade.
Não perdeu.
Pelo contrário.
Esta terceira geração mostra que é possível evoluir sem esquecer aquilo que tornou um modelo especial.
E talvez seja essa a maior qualidade deste novo Mazda CX-5.
Não quer ser apenas o próximo CX-5.
Quer continuar a ser o CX-5.
E cinco milhões de unidades depois, não é uma responsabilidade pequena.
