O setor dos data centers – a nível global e nacional – registou um crescimento notável e assim irá continuar nos próximos anos. Para Portugal, as previsões apontam para que o país possa assumir um papel de relevo, como destacou um estudo elaborado pela sociedade de advogados internacional baseada nos Estados Unidos Akin Gump Strauss Hauer & Feld, e pela sociedade de advogados portuguesa PLMJ. Portugal entra no mapa dos maiores data centers da Europa com a construção do inovador projeto Sines 4.0 que foi concebido para ser 100% verde.
Os DC assumem-se como um fator chave para a economia portuguesa, onde grandes empresas do setor já estão a realizar grandes investimentos para construir as suas infraestruturas. A manutenção destes investimentos depende não só dos benefícios que o nosso país oferece para os centros de dados – a sua localização geográfica, com uma rede cada vez maior de cabos de fibra ótica que o posiciona como “porta de entrada europeia” para África, Américas e outros destinos – mas também com o saber lidar com as novas exigências do mercado e enfrentar futuros desafios, afirma Ignacio Cereijo, diretor de desenvolvimento de negócios da unidade de fdata.
Assim, os centros de dados devem desenvolver-se de forma a garantir este crescimento exponencial. Neste sentido, os peritos da fdata, unidade especializada de data center da fibratel, destacam alguns dos desafios que a indústria enfrenta no presente:
- Sustentabilidade. O cuidado com o ambiente é a principal preocupação das empresas de qualquer setor. Isto é especialmente importante na indústria tecnológica, que se estima ser responsável por 6% das emissões de CO2. Por esta razão, os data centers estão a dirigir os seus esforços na transição para data centers sustentáveis. Sendo a eficiência energética uma das questões mais importantes a ser resolvida. Para este fim, além de estudar a localização das instalações para favorecer a poupança de energia – desde a localização dos data centers em locais com climas mais amenos que favorece a refrigeração, conseguindo poupanças térmicas de cerca de 50% – é importante conhecer as alternativas existentes em termos de processadores e refrigeração de infraestruturas. A este respeito, a refrigeração líquida deverá tornar-se ainda mais popular no futuro. Esta alternativa tem uma capacidade de refrigeração mil vezes superior ao arrefecimento por ar e requer dez vezes menos energia para remover o mesmo calor. De facto, de acordo com a fibratel, integrador de soluções informáticas globais, a implementação deste método de arrefecimento poderia poupar mais de 205.000kWh para um rack de oito servidores em comparação com o arrefecimento a ar. No que diz respeito aos processadores, a opção por processadores de baixa potência reduz os custos energéticos em 10%.
- Disponibilidade. Apesar de ser cada vez mais desafiante, assegurar a disponibilidade dos data centers é fundamental para garantir o seu funcionamento e, por conseguinte, a sua viabilidade económica. A tendência a este respeito é para centros de dados que garantam uma disponibilidade tão próxima quanto possível de 100%, conhecidos como Tier IV, que garantem 99,995%. Estes DC têm vários sistemas de manutenção independentes e simultâneos, o que significa que não são afetados por um evento imprevisto ou uma manutenção planeada, evitando uma interrupção no serviço. Esta é a certificação mais robusta que um data center pode receber e, até 2023, os peritos de fdata esperam que estas certificações aumentem devido à transformação de muitos centros de dados existentes e à construção de novos centros.
- Atração e retenção de talento. O rápido crescimento desta indústria torna necessário recrutar mais pessoal para assegurar um serviço otimizado. No entanto, é verdade que nos últimos anos tem havido uma certa dificuldade na atração e retenção de talentos. Isto leva a uma escassez de profissionais no setor, o que significa que muitas empresas são incapazes de satisfazer as quotas de procura. Assim, 2023 apresenta uma oportunidade para as empresas e instituições de ensino destacarem a importância da formação na indústria dos centros de dados, incorporando mais conhecimentos especificamente relacionados com este tema.
- Energia. A poupança de energia e a utilização de fontes de energia renováveis são dois dos principais desafios do setor. A indústria dos data centers é um dos maiores consumidores de energia: cerca de 205 terawatts-hora, o equivalente a 1% de toda a energia consumida globalmente, com a previsão de atingir cerca de 8% da procura total de eletricidade. Assim, para além da adoção de medidas para melhorar a eficiência energética – como a refrigeração líquida, o cuidado com a localização do centro de dados e a utilização de processadores energeticamente eficientes – é importante optar pela utilização de energias renováveis. A este respeito, vale a pena notar que a utilização de energias renováveis pode atingir emissões quase nulas de dióxido de carbono, o que promove a sustentabilidade do DC.
“Embora estes desafios tenham sido relevantes durante 2022, tornar-se-ão ainda mais importantes em 2023, quando se esperam grandes investimentos neste setor. Empresas como a Fibratel, que se dedicam a esta indústria há anos, devem garantir a satisfação das exigências dos clientes com total excelência no serviço, a fim de favorecer esta situação, tão benéfica para a economia do país”, conclui Ignacio Cereijo, diretor de desenvolvimento de negócios da unidade de fdata.
