Apesar da recuperação no que toca às intenções de contratação das empresas nacionais até ao final do ano, os jovens em início de carreira continuam a enfrentar dificuldades na entrada no mercado de trabalho. Em Portugal, a taxa de desemprego jovem atingiu os 20,1% em julho de 2026, permanecendo significativamente acima da taxa de desemprego global, que se situou nos 5,7%.
De acordo com os resultados mais recentes do ManpowerGroup Employment Outlook Survey, a grande maioria dos empregadores em Portugal (71%) mantiveram ou aumentaram apenas ligeiramente as contratações no ano passado, revelando uma evolução pouco expressiva das oportunidades para profissionais em início de carreira, num contexto em que a taxa de desemprego jovem permanece substancialmente acima da média nacional.
Jovens profissionais continuam a encontrar mais oportunidades em funções operacionais, industriais e de suporte
Os jovens em início de carreira estão a entrar no mercado de trabalho em diversas funções. No entanto, a maior incidência de contratação de jovens encontra-se nas áreas de Logística (29%), Indústria e Produção (25%) e Administração e Suporte (25%). Entre as restantes funções destacam-se ainda os cargos de Engenharia (19%), Recursos Humanos (18%), Vendas (17%) e Tecnologias de Informação e Dados (17%).
Os dados mostram também que as oportunidades para profissionais em início de carreira já abrangem áreas ligadas à transformação digital e tecnológica, com 16% dos empregadores a contratar jovens para funções relacionadas com o desenvolvimento e treino de sistemas de Inteligência Artificial.
Falta de experiência, pressão por produtividade imediata e impacto da IA dificultam a contratação de jovens
Entre as empresas que reduziram a contratação de profissionais em início de carreira, a principal razão apontada é a redução generalizada das contratações na organização. Este fator é referido por 30% dos empregadores portugueses, valor que é semelhante ao registado globalmente (32%).
Analisando os motivos diretamente associados aos jovens profissionais, destaca-se a falta de experiência necessária para desempenhar as funções, que é mencionada por 25% das empresas nacionais, situando-se ligeiramente acima da média global de 24%. A pressão para garantir resultados e produtividade num curto espaço de tempo surge também como um fator determinante, com 23% dos empregadores em Portugal a afirmarem que os atuais constrangimentos de custos os levam a privilegiar candidatos mais experientes e capazes de gerar impacto imediato, uma tendência que é ainda mais evidente a nível global, onde esta percentagem sobe para 30%.
As competências continuam igualmente a desempenhar um papel central nas decisões de contratação. Em Portugal, 29% das empresas identificam a falta de competências – tanto técnicas como humanas – como uma barreira à contratação de jovens profissionais, um valor alinhado com a média global. Já o desencontro entre as expectativas dos candidatos e os requisitos das funções é apontado por 22% dos empregadores nacionais, comparativamente a 19% a nível mundial.
A transformação tecnológica e a crescente adoção da Inteligência Artificial começam também a influenciar a criação de oportunidades para profissionais em início de carreira. Em Portugal, quase um em cada cinco empregadores (18%) que reduziram estas contratações afirmam que a automação impulsionada pela IA contribuiu para a diminuição de funções ou tarefas tradicionalmente desempenhadas por jovens profissionais. A nível global, este impacto é já mais expressivo, sendo referido por 23% das empresas.
Analisando estes resultados, Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup afirmou: “Num momento em que as empresas procuram responder a necessidades de produtividade cada vez mais imediatas, o desafio passa também por criar condições para que os profissionais em início de carreira possam desenvolver experiência e competências em contexto real de trabalho. A combinação entre formação, a experiência prática e o desenvolvimento de competências digitais será determinante para aproximar o talento jovem das necessidades do mercado.”
O estudo trimestral do ManpowerGroup entrevistou mais de 39.000 empregadores, em 42 países e territórios. Os resultados completos do ManpowerGroup Employment Outlook Survey para o quarto trimestre de 2026 podem ser consultados neste link.
